Características clínicas e epidemiológicas de um surto do novo vírus influenza A H1N1 (origem suína) entre beneficiários militares dos Estados Unidos
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Resumo
Um novo vírus da influenza A (H1N1) de origem suína, identificado em março de 2009, causou surtos globais, sendo San Diego um dos primeiros focos da pandemia emergente.
O estudo descreve as características clínicas e epidemiológicas dessa nova cepa em uma população militar dos EUA para auxiliar em futuros esforços de prevenção e controle de surtos.
O surto afetou principalmente adolescentes e adultos jovens, resultando em doença febril leve e sem sequelas na maioria dos casos.
Métodos
Foi realizada uma avaliação epidemiológica das infecções pelo novo H1N1 em 96.258 beneficiários militares no Condado de San Diego, utilizando o sistema médico militar para coleta de dados.
A confirmação da infecção pelo novo H1N1 foi feita através da reação em cadeia da polimerase com transcriptase reversa em tempo real (RT-PCR em tempo real).
Pacientes com síndrome gripal (SG) foram considerados para teste de H1N1 se apresentassem febre (>38°C) e dois ou mais sintomas específicos, seguindo as recomendações do CDC.
Resultados Epidemiológicos e Clínicos
Entre 21 de abril e 8 de maio de 2009, 97 pacientes tiveram infecção confirmada por H1N1 entre os beneficiários militares, com uma taxa de incidência de 101 casos por 100.000 pessoas.
A idade mediana dos pacientes com H1N1 foi de 21 anos (intervalo interquartil de 15 a 25 anos), e a febre e a tosse foram sintomas universais ou quase universais (100% e 96%, respectivamente).
Sessenta e oito (70%) dos pacientes com H1N1 tinham um vínculo epidemiológico identificável com outro caso confirmado, e um grande surto ocorreu a bordo de um navio da Marinha, afetando 8% da tripulação.
Características Demográficas e Taxas de Incidência
Pacientes com H1N1 eram predominantemente homens (75%) e a maior taxa de incidência ocorreu na faixa etária de 18 a 24 anos (344,8 casos por 100.000 pessoas).
62% dos casos de H1N1 ocorreram em militares da ativa, embora estes representassem apenas 25% da população beneficiária.
A incidência variou significativamente por localização geográfica no Condado de San Diego.
Comparação com Outros Grupos
Pacientes com H1N1 eram mais propensos a serem militares da ativa, mais jovens (18-24 anos) e a terem reportado contato com um caso confirmado ou com SG, em comparação com pacientes influenza-negativos.
O grupo H1N1 relatou mais frequentemente febre, tosse, mialgia/artralgia e cefaleia, mas menos diarreia, em comparação com indivíduos com SG sem influenza.
A vacinação contra influenza sazonal no ano anterior foi mais comum no grupo H1N1 (66% vs 40% no grupo negativo para influenza e 31% no grupo H3/B), e a vacinação com LAIV também foi mais frequente (52% vs 28%).
Surto no Navio A e Teste Rápido de Antígeno (RIAT)
O navio A teve 32 casos confirmados de H1N1 entre 402 tripulantes, com uma taxa de ataque secundário entre familiares variando de 6% a 14%.
A sensibilidade do RIAT (teste rápido de antígeno) para detecção de H1N1 foi de 51% (em comparação com o rRT-PCR), mas foi melhor em indivíduos com menos de 18 anos (77,3%).
A especificidade do RIAT foi alta (98%), mas sua baixa sensibilidade sublinha a importância do rRT-PCR no diagnóstico do novo H1N1.
Discussão
O surto de H1N1 afetou preferencialmente jovens adultos e membros da ativa, com uma apresentação clínica geralmente leve, sem óbitos ou morbidade de longo prazo.
O vírus H1N1 demonstrou-se mais transmissível do que os surtos de gripe suína anteriores, resultando em transmissão sustentada de pessoa para pessoa.
Pacientes com H1N1 eram mais propensos a relatar febre e tosse, sintomas preditivos de influenza, mas a baixa taxa de doença grave pode ser devido à população militar, que é ligeiramente mais jovem e saudável.
A transmissão do vírus H1N1 na população militar foi notavelmente rápida e envolveu grandes surtos em ambientes fechados, como navios.
Principais Pontos de Transmissão:
Vínculos Epidemiológicos: 70% dos pacientes com infecção confirmada por H1N1 tinham um vínculo epidemiológico identificável com outro paciente confirmado.
Transmissão Sustentada: Ao contrário de surtos de gripe suína anteriores (como o de Fort Dix em 1976), essa nova cepa de H1N1 resultou em transmissão sustentada de pessoa para pessoa.
População Ativamente Afetada: O surto descrito afetou principalmente adolescentes e adultos jovens. A cepa demonstrou preferência por afetar adolescentes e adultos jovens, sendo que mulheres grávidas também apresentaram maior risco de infecção clínica.
Surto no Navio da Marinha (Navio A):
Ocorrência: O maior surto de casos de infecção pelo vírus H1N1 ocorreu em um navio da Marinha atracado (Navio A).
Magnitude: Dos 402 membros da tripulação do Navio A, 32 (8%) desenvolveram infecção confirmada por H1N1.
Taxa de Ataque Secundário: Utilizando dados detalhados da tripulação e de seus familiares (já que os tripulantes voltavam para casa todas as noites), a taxa de ataque secundário foi estimada em 6% a 14%.
Exposição Única: O ambiente único de exposição da população militar da ativa, como navios e depósitos de treinamento, ilustrou o impacto da infecção pelo vírus H1N1.
Conclusão sobre a Transmissão:
A investigação demonstrou a rápida disseminação dessa nova cepa H1N1 em uma população bem definida, incluindo um surto a bordo de uma embarcação militar.
Os sintomas mais frequentes apresentados pelos pacientes com infecção confirmada pelo novo vírus H1N1 foram febre e tosse.
Sintomas Comuns em Pacientes com H1N1:
Sintoma | Frequência |
Febre | Universal (100% dos pacientes) |
Tosse | 96% dos pacientes |
Mialgia ou Artralgia (Dor muscular ou nas articulações) | 57% dos pacientes |
Dor de Garganta | 51% dos pacientes |
A febre foi o único sintoma ou sinal que diferiu significativamente entre os pacientes com infecção por H1N1 e aqueles com resultados negativos para influenza no surto do navio.
Os pacientes com H1N1 também foram mais propensos a relatar mialgia ou artralgia e dor de cabeça, mas foram menos propensos a ter diarreia, em comparação com indivíduos com Síndrome Gripal (SG) não-influenza.
A apresentação clínica geral da infecção pelo vírus H1N1 foi considerada geralmente leve, com apenas 2% dos pacientes apresentando pneumonia e 1% necessitando de hospitalização, sem registro de óbitos.
Citação: Crum-Cianflone NF, Blair PJ, Faix D, Arnold J, Echols S, Sherman SS, Tueller JE, Warkentien T, Sanguineti G, Bavaro M, Hale BR. Clinical and epidemiologic characteristics of an outbreak of novel H1N1 (swine origin) influenza A virus among United States military beneficiaries. Clin Infect Dis. 2009 Dec 15;49(12):1801-10. doi: 10.1086/648508. PMID: 19911946; PMCID: PMC2878199.
Acessado em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19911946/



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