Diversidade populacional entre isolados de Bordetella pertussis, Estados Unidos, 1935–2009
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Resumo
As notificações de coqueluche têm aumentado nos Estados Unidos desde a década de 1980, e o estudo buscou identificar os tipos de Bordetella pertussis responsáveis por esse aumento analisando 661 isolados de 1935 a 2009.
A maior diversidade de B. pertussis foi observada entre 1970 e 1990 (94%), mas diminuiu para cerca de 70% após 1991, permanecendo constante.
O surgimento e predomínio do alelo fim3B foi a única característica molecular associada ao aumento nas notificações de coqueluche, não as mudanças na composição ou esquema de vacinação.
Introdução
A coqueluche (pertussis), causada pela bactéria Bordetella pertussis, é a doença bacteriana evitável por vacina mais frequentemente notificada nos Estados Unidos.
Apesar do sucesso do programa de vacinação infantil, que utiliza vacinas de células inteiras (wP) a partir dos anos 1940 e vacinas acelulares (aP) a partir de 1991, o número de casos notificados aumentou desde o início dos anos 1980.
O estudo utilizou a Análise de Repetições em Tandem de Número Variável Multilocus (MLVA) e a Tipagem de Sequência Multilocus (MLST) para caracterizar uma grande seleção de isolados de B. pertussis dos EUA, examinando a relação das mudanças moleculares com o aumento nas notificações e políticas de vacinação.
Métodos
Foram selecionados 661 isolados de B. pertussis de origem dos EUA da coleção do CDC, amostrados aleatoriamente e estratificados por geografia e divididos em 8 períodos relacionados à introdução de vacinas (de 1935–1945 a 2006–2009).
A análise MLVA foi realizada usando um multiplex de 6 alvos, e a tipagem MLST incluiu os genes prn, ptxP-ptxS1 e fim3.
O Índice de Diversidade de Simpson (DI) foi calculado usando a combinação MLVA + MLST, e o coeficiente de correlação de Pearson foi usado para detectar a dependência linear entre as notificações de coqueluche e as alterações moleculares predominantes.
Resultados
Na era pré-vacina (Período 1, 1935–1945), todas as três cepas codificavam o perfil MLST prn1-ptxP1-ptxS1D-fim3A, um perfil não visto novamente em períodos posteriores.
O tipo MLVA 10 predominou durante o Período 2 (início da era wP, 1946–1969), e o perfil MLST mudou para prn1-ptxP1-ptxS1B-fim3A, idêntico à cepa de vacina Tohama I.
O tipo MLST prn2-ptxP3-ptxS1A-fim3B tornou-se dominante no Período 8 (2006–2009), representando 81,6% das cepas, e sua frequência aumentou progressivamente desde o Período 4 (1991–1996).
Tendências na Tipagem Durante 74 Anos de História dos EUA
O índice de diversidade (DI) atingiu seu pico no Período 3 (final da era wP, 1970–1990) com 94,0%, mas diminuiu e permaneceu relativamente constante (na faixa de 66,8% a 75,7%) após a introdução da vacina acelular (aP).
A transição do alelo fim3 (de fim3A para fim3B) foi um aumento gradual observado no início dos anos 2000, ocorrendo significativamente mais tarde do que outras transições alélicas.
Houve uma correlação significativa entre a proporção de cepas codificadoras de fim3B e o aumento nas notificações de coqueluche (r = 0,8608; p = 0,0277).
Discussão
As mudanças na população de B. pertussis nos EUA seguiram tendências globais, mas a correlação entre o alelo fim3B e o aumento anual de casos foi única nos EUA.
A alta diversidade no Período 3 (94%) pode estar associada à queda nas taxas de cobertura vacinal wP nos EUA, seguindo a hipótese de que a imunidade mediada pela vacina é a principal pressão seletiva.
O surgimento de alelos não-vacinais como prn2 e ptxP3, e o MLVA 27, nos EUA, ocorreu durante o período de maior diversidade, predando a transição para a vacina aP.
O surgimento e a predominância do alelo fim3B foram a única característica molecular que se mostrou significativamente associada ao aumento das notificações de coqueluche nos Estados Unidos.
O estudo demonstrou uma associação temporal e significativa entre a linha de tendência do fim3B e a taxa de aumento das notificações de coqueluche. Especificamente, a frequência do alelo fim3B foi correlacionada com a taxa de aumento de casos, com um coeficiente de correlação de Pearson de 0,8608.
As descobertas do estudo indicam que o ressurgimento da coqueluche nos Estados Unidos não foi correlacionado com o alelo ptxP3, mas sim com a presença do alelo fim3B entre a população de B. pertussis.
Embora o estudo estabeleça uma correlação temporal e estatística entre o fim3B e o aumento dos casos, a relevância dessas mudanças alélicas (incluindo fim3B) ainda precisa ser totalmente elucidada.
O alelo fim3B codifica a fímbria Fim3, uma das adesinas importantes da B. pertussis. No entanto, o artigo aponta para a falta de estudos que avaliem especificamente o locus fim3. O que se sabe é que as cepas de B. pertussis em circulação nos EUA codificam alelos diferentes daqueles usados na fabricação das vacinas contra coqueluche.
Citação: Schmidtke AJ, Boney KO, Martin SW, Skoff TH, Tondella ML, Tatti KM. Population diversity among Bordetella pertussis isolates, United States, 1935-2009. Emerg Infect Dis. 2012 Aug;18(8):1248-55. doi: 10.3201/eid1808.120082. PMID: 22841154; PMCID: PMC3414039.
Acessado em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22841154



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