Os números de mortes por gripe nos EUA são mais relações públicas do que ciência?
- Vlog da Ro
- 28 de jun.
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Introdução e Contexto
O artigo questiona se os números de mortes por gripe nos EUA representam mais "propaganda do que ciência", destacando inconsistências nos dados e a estratégia de comunicação do CDC baseada em "marketing do medo".
O CDC usa os termos morte por gripe e morte associada à gripe indistintamente, apesar de reconhecer a diferença, e agrupa gripe e pneumonia como a sétima principal causa de morte nos EUA.
O número de 36.000 mortes anuais por gripe, amplamente divulgado, é apresentado pelo CDC, mas há significativas incompatibilidades estatísticas com os dados nacionais de estatísticas vitais.
Inconsistências Estatísticas e Metodologia do CDC
David Rosenthal observou que a maioria das pessoas não morre do vírus da gripe em si (viremia), mas sim de pneumonia secundária, embora a relação entre gripe e pneumonia não seja exclusiva da gripe.
Enquanto o CDC alega 36.000 mortes anuais, os dados do NCHS (Centro Nacional de Estatísticas de Saúde do CDC) para 2001 atribuíram 61.777 mortes à pneumonia e apenas 257 à gripe (com apenas 18 casos identificando positivamente o vírus).
O CDC defende que os números do NCHS subestimam drasticamente as mortes reais por gripe e, por isso, utiliza métodos de modelagem indireta para estimar 36.155 mortes anuais associadas à gripe (que incluem causas respiratórias e
circulatórias subjacentes associadas), e não mortes causadas diretamente pela gripe, como é amplamente reportado.
Aumento nas Estimativas e Incentivo à Vacinação
William Thompson, do NIP do CDC, admitiu que a "mortalidade associada à influenza" é uma associação estatística e não implica a gripe como causa subjacente da morte, o que é incompatível com a alegação de que a gripe mata 36.000 pessoas por ano.
O aumento de 80% na estimativa de mortalidade associada à gripe (de 20.000 para 36.000 antes de 2003) foi justificado pelo crescimento da população com mais de 65 anos e por uma possível maior virulência do vírus na década de 1990, mas os dados do NCHS mostraram menos mortes registradas por gripe nessa década.
O CDC já atua em benefício dos fabricantes ao realizar campanhas para aumentar a vacinação, com o Programa Nacional de Imunização (NIP) instruindo sobre o uso da mídia para gerar interesse e demanda pela vacina, incluindo a previsão de "consequências graves" por especialistas médicos.
Conclusão sobre a Comunicação e Dados
Estratégias de comunicação do CDC envolvem relatórios contínuos de que a gripe está causando doenças graves, fomentando a percepção de que muitas pessoas são suscetíveis a um caso grave.
A demanda pela vacina estava baixa no início da temporada de 2003, o que motivou o Dr. Glen Nowak, do NIP, a afirmar que era necessário "fazer algo para encorajar as pessoas a se vacinarem contra a gripe".
A abordagem de relações públicas é vista como exagerada se a gripe não for uma das principais causas de morte, e a associação arbitrária da gripe com a pneumonia estatisticamente enviesa os dados, limitando o debate sólido e a formulação de políticas de saúde pública eficazes.
O CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) utiliza métodos de modelagem indireta para estimar o número de mortes associadas à gripe.
O modelo do CDC calculou uma média anual de 36.155 mortes decorrentes de causas respiratórias e circulatórias subjacentes associadas à influenza (conforme publicado no JAMA em 2003).
É importante notar que:
Distinção entre Causa e Associação: Este número de 36.000 é uma estimativa de morte associada à gripe, e não uma estimativa de mortes anuais causadas diretamente pela gripe. Menos de um quarto dessas mortes (8.097) foram descritas como mortes por gripe ou pneumonia subjacente associada à gripe.
Justificativa do CDC: O CDC considera os dados do NCHS (que registram poucas mortes anuais diretamente atribuídas à gripe) como uma "subcontagem muito substancial" do número real de mortes por gripe. Isso ocorre porque a gripe geralmente causa a morte quando leva a complicações médicas graves, e a maioria desses casos não é testada para infecção viral.
Portanto, o CDC utiliza a modelagem indireta para abranger mortes onde a gripe é considerada um fator subjacente, mesmo que a causa imediata da morte seja outra complicação, como a pneumonia.
A confusão entre as causas de morte por gripe e pneumonia ocorre por vários motivos, incluindo a prática de agrupamento estatístico, a metodologia do CDC e a natureza das complicações da gripe:
Agrupamento Estatístico: O CDC lista a "influenza/pneumonia" como a sétima principal causa de morte nos Estados Unidos. O artigo questiona se a relação entre gripe e pneumonia é "tão forte ou singular a ponto de justificar caracterizá-las como uma única causa de morte".
Morte por Complicações Secundárias: As pessoas raramente morrem da viremia (o vírus da gripe) em si, mas sim de uma pneumonia secundária que se segue à infecção. Muitas dessas pneumonias não são virais, mas sim secundárias.
Metodologia do CDC (Modelagem Indireta): O CDC utiliza modelos indiretos para estimar mortes "associadas à gripe" porque considera que os dados do NCHS (National Center for Health Statistics) subestimam drasticamente o número real de mortes por gripe. O CDC argumenta que a gripe causa a morte quando leva a complicações médicas graves, mas como a maioria desses casos nunca é testada para infecção viral, eles usam a modelagem para incluir mortes por complicações, como pneumonia, que podem ter sido iniciadas pela gripe.
Incompatibilidade com os Critérios NCHS: O NCHS baseia suas estatísticas de causa de morte estritamente na causa subjacente da morte, definida pela OMS como "a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos que levaram diretamente à morte".
Os dados do NCHS de 2001, por exemplo, registraram 62.034 mortes por "influenza e pneumonia", mas 61.777 foram atribuídas à pneumonia e apenas 257 à gripe (e em apenas 18 casos o vírus da gripe foi positivamente identificado).
Se o CDC e o NCHS estivessem em harmonia, cerca de metade das mortes classificadas pelo NCHS como pneumonia teriam que ser, na verdade, pneumonias secundárias iniciadas pela gripe. No entanto, os critérios do NCHS indicam o contrário.
Em resumo, o CDC agrupa e estima as mortes por gripe e pneumonia para refletir a mortalidade associada à gripe, enquanto o NCHS registra a causa subjacente da morte, resultando em grandes discrepâncias estatísticas e confusão sobre a real causa de óbito.
Citação: Doshi P. Are US flu death figures more PR than science? BMJ. 2005 Dec 10;331(7529):1412. PMCID: PMC1309667.
Acessado em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC1309667/



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