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Vacinas para prevenir a gripe em crianças saudáveis


Resumo


  • O risco de complicações da gripe é maior em crianças e em pessoas com mais de 65 anos.

  • Os objetivos do estudo são avaliar ensaios comparativos de vacinas contra a gripe em crianças saudáveis, medir a eficácia e efetividade, e documentar eventos adversos.

  • Incluíram-se 75 estudos, totalizando cerca de 300.000 observações, com evidências de ensaios clínicos randomizados (ECR) mostrando que seis crianças menores de seis anos precisam ser vacinadas com a vacina de vírus vivo atenuado para prevenir um caso de influenza.


Introdução


  • Crianças com menos de 16 anos e idosos acima de 65 anos são os grupos etários com mais complicações após a infecção por influenza.

  • A difusão e gravidade da doença variam muito entre diferentes epidemias, e as estratégias de contenção dependem principalmente da vacinação generalizada.

  • Instituições internacionais recomendam a imunização de crianças saudáveis (6 a 23 meses de idade) como medida de saúde pública, com alguns países europeus e a América do Norte ampliando essas recomendações,.


Objetivos


  • Identificar e avaliar todos os estudos comparativos que analisam os efeitos das vacinas contra a gripe em crianças saudáveis com menos de 16 anos de idade.

  • Avaliar a eficácia (prevenção de influenza confirmada) e a efetividade (prevenção de síndrome gripal) das vacinas em crianças saudáveis.

  • Documentar os tipos e a frequência de efeitos adversos associados às vacinas contra a gripe em crianças saudáveis.


Métodos


  • Os métodos de pesquisa incluíram buscas no CENTRAL, MEDLINE, EMBASE, Biological Abstracts e Science Citation Index.

  • Foram considerados Ensaios Clínicos Randomizados (ECR), ensaios controlados quase-randomizados, e estudos de coorte e caso-controle de qualquer vacina contra a gripe em crianças saudáveis com menos de 16 anos,.

  • As medidas de desfecho primárias para eficácia e efetividade incluíram Influenza (sintomas com diagnóstico laboratorial positivo) e Síndrome Gripal (ILI, apenas sintomas).


Coleta e Análise de Dados


  • Quatro autores da revisão avaliaram de forma independente a qualidade dos ensaios e extraíram os dados.

  • As análises estatísticas utilizaram o risk ratio (RR) e seu intervalo de confiança (IC) para estudos RCT/CCT e coorte, e o odds ratio (OR) para estudos caso-controle.

  • A eficácia/efetividade da vacina (VE) foi calculada como VE = 1 - RR (expressa em porcentagem), e o Number Needed to Vaccinate (NNV) foi calculado para comparações mais confiáveis.


Avaliação do Risco de Viés em Estudos Incluídos


  • Dos 24 conjuntos de dados (datasets) de ECRs incluídos na análise de eficácia e efetividade, 42% apresentaram baixo risco de viés, e 37% apresentaram alto risco de viés.

  • A maioria dos estudos de coorte (90,5% dos 21 datasets) foi classificada como de alto risco de viés.

  • Observou-se uma variação na qualidade metodológica dos estudos, com descrição incompleta do conteúdo da vacina e ausência de informações sobre excipientes ou grau de correspondência antigênica.


Efeitos das Intervenções - Eficácia e Efetividade


  • As vacinas de vírus vivo atenuado (LAIVs) mostraram uma eficácia geral de 80% (RR 0,20; IC 95% 0,13 a 0,32) em ECRs.

  • As vacinas inativadas apresentaram eficácia menor (VE = 59%; RR 0,41; IC 95% 0,29 a 0,59) em ECRs.

  • Para crianças com seis anos ou mais, o NNV calculado para vacinas inativadas foi 3, com NNV = 7 para LAIVs em crianças com menos de seis anos.


Efeitos das Intervenções - Desfechos Mais Raros


  • As vacinas foram significativamente mais eficazes na redução do absenteísmo escolar (RR 0,49; IC 95% 0,26 a 0,92).

  • A evidência para outros desfechos (casos secundários, doença do trato respiratório inferior, prescrição de medicamentos, otite média aguda e impacto socioeconômico) sugere que não há diferença em relação ao placebo ou tratamento padrão.

  • As vacinas virossomais reduziram o consumo de antibióticos e o absenteísmo escolar e laboral, embora essas observações sejam baseadas em um único estudo de coorte com alto risco de viés.


Efeitos Adversos


  • A elevação da temperatura (febre) foi um desfecho comum nos ECRs, variando de 0,16% a 15% nas crianças vacinadas.

  • Eventos adversos graves associados à vacina contra a gripe monovalente Pandemrix (GSK) incluem o início de narcolepsia e cataplexia em crianças.

  • Em ensaios de registro para a vacina CSL de 2010 (Austrália), um em cada 110 crianças com menos de cinco anos vacinadas teve convulsão febril, indicando atenção regulatória insuficiente.


Discussão


  • As vacinas de vírus vivo atenuado (LAIVs) têm boa eficácia relativa (até 80%), mas menor efetividade relativa (cerca de 33%) em crianças com mais de dois anos.

  • Para crianças com dois anos ou menos, as vacinas inativadas (TIV) parecem ter efeitos semelhantes ao placebo, com base em um único estudo pequeno.

  • Há poucas evidências de que as vacinas reduzam a mortalidade, hospitalizações, complicações graves ou a transmissão comunitária da influenza.


Conclusões dos Autores


  • As políticas nacionais de vacinação de crianças pequenas saudáveis baseiam-se em poucas evidências confiáveis.

  • São urgentemente necessários mais ensaios clínicos randomizados para testar a eficácia das vacinas contra a gripe, especialmente as inativadas, em crianças mais jovens.

  • É prioridade a divulgação completa e honesta de todos os dados de segurança aos pesquisadores e a padronização dos dados de desfecho de segurança de acordo com as Diretrizes da Colaboração Brighton.


O documento menciona as seguintes diferenças e informações sobre as vacinas de vírus vivo atenuado (LAIVs) e as vacinas inativadas:


Eficácia/Efetividade:


  • Vacinas de Vírus Vivo Atenuado (LAIVs):

  • As evidências de Ensaios Clínicos Randomizados (ECR) mostram que é necessário vacinar seis crianças menores de seis anos com a vacina de vírus vivo atenuado para prevenir um caso de influenza (infecção e sintomas).

  • As vacinas de influenza são eficazes na prevenção de casos de influenza em crianças com mais de dois anos de idade.

  • Uma comparação de estudos de coorte de vacinas atenuadas vivas (LAIVs) examinou o resultado de "Síndrome Gripal" (Influenza-like illness).

  • Vacinas Inativadas:

  • As vacinas inativadas em crianças com seis anos de idade ou mais não são significativamente mais eficazes do que o placebo.

  • É necessário vacinar 28 crianças com mais de seis anos para prevenir um caso de gripe (infecção e sintomas) e oito para prevenir um caso de síndrome gripal (SG).

  • Uma comparação de estudos de coorte de vacinas inativadas examinou o resultado de "Influenza".

  • Comparação Direta:

  • Há estudos que realizaram comparações diretas, como um estudo comparativo de vacinas vivas e inativadas e outro que comparou a vacina inativada de vírus dividido dos EUA e a vacina russa viva atenuada, adaptada ao frio, trivalente, em crianças em idade escolar russas.


Segurança e Danos:


  • A variabilidade no desenho dos estudos e na apresentação dos dados foi tamanha que uma metanálise dos dados de segurança não foi viável.

  • Evidências extensas de viés de relato dos desfechos de segurança em ensaios clínicos de LAIVs impediram uma análise significativa.

  • · Não foi possível realizar comparações de segurança, o que "enfatiza a necessidade de padronização de métodos e apresentação de dados de segurança de vacinas em estudos futuros".

  • Em casos específicos, as vacinas de influenza foram associadas a danos graves, como narcolepsia e convulsões febris, e uma marca específica de vacina monovalente contra a pandemia está associada à cataplexia e narcolepsia em crianças, com poucas evidências de danos graves (como convulsões febris) em situações específicas.


Disponibilidade de Dados:


  • Há poucos dados utilizáveis para crianças com dois anos ou menos.

  • Foi surpreendente encontrar apenas um estudo de vacina inativada em crianças com menos de dois anos, dado as recomendações atuais para vacinar crianças saudáveis a partir de seis meses de idade em vários países.


Os principais eventos adversos relacionados às vacinas observados nos estudos e mencionados no texto incluem:


Eventos Adversos Graves/Sérios:


  • Narcolepsia e Cataplexia: Uma marca específica de vacina monovalente contra a pandemia (anti-H1N1) foi associada à cataplexia e narcolepsia em crianças. Um artigo de 2011 está listado como tratando de "Narcolepsy with cataplexy associated with H1N1 vaccination".

  • Convulsões Febris: Há poucas evidências de danos graves, como convulsões febris, em situações específicas.

  • Mortes: Em um estudo (aa Bracco Neto 2009a), foram relatadas três mortes, mas nenhuma foi julgada pelos investigadores como relacionada ao produto de estudo (uma por sepse por Escherichia coli 18 dias após a segunda dose de LAIV, e duas acidentais).

  • Eventos Respiratórios Sérios: No mesmo estudo (aa Bracco Neto 2009a), 29 participantes tiveram eventos adversos sérios considerados relacionados ao produto de estudo, sendo os mais frequentes pneumonia, broncopneumonia, bronquiolite e bronquite. A maioria dos eventos sérios relatados em geral foram respiratórios.


Eventos Adversos Comuns/Não Sérios:


  • Reações Locais: Houve um aumento nas reações locais com o aumento no número de inoculações, mas essas reações não foram significativamente diferentes das respostas nos grupos placebo. Não foram observadas reações gerais ou locais graves.

  • Sintomas Registrados no Diário: Em um estudo, os sintomas diários registrados 10 dias após a vacinação incluíam tosse, chiado (wheezing), rinorreia, dor de garganta ou irritabilidade.

  • Eventos Não Solicitados (em geral): Em um estudo (ab Plennevaux 2011), uma variação de 42% a 55% dos participantes em cada grupo etário e de vacina experimentaram eventos adversos não solicitados em 21 dias após a última das duas injeções, embora na maioria dos casos o investigador tenha considerado que não estavam relacionados à vacina.

  • Eventos Após a Dose 1 e 2 (LAIV): Em outro estudo (ab Mallory 2010), os eventos adversos após a dose um foram relatados em 18,1% dos receptores de H1N1 LAIV (e 16,9% de placebo) e após a dose dois em 13,7% dos receptores (e 14,3% de placebo).

  • Os eventos adversos mais comuns em crianças após a dose um foram náusea (1,9% versus 3,1% no placebo), vômito (2,7% versus 1,5% no placebo) e diarreia (1,5% versus 1,5% no placebo).


Outras Categorias de Eventos (Monitorados em Longo Prazo):


  • Em estudos de acompanhamento de longo prazo (até seis meses), os desfechos incluíram alergias, infecções (excluindo influenza e infecções respiratórias agudas) e outras doenças somáticas.


Citação: Jefferson T, Rivetti A, Di Pietrantonj C, Demicheli V, Ferroni E. Vaccines for preventing influenza in healthy children. Cochrane Database Syst Rev. 2012 Aug 15;2012(8):CD004879. doi: 10.1002/14651858.CD004879.pub4. Update in: Cochrane Database Syst Rev. 2018 Feb 01;2:CD004879. doi: 10.1002/14651858.CD004879.pub5. PMID: 22895945; PMCID: PMC6478137.




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