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Quais são, de fato, as evidências de que a vacinação dos profissionais de saúde contra a gripe sazonal protege seus pacientes? Uma revisão crítica.x


Resumo


  • As pesquisas publicadas indicam que o benefício pessoal da vacinação contra a gripe sazonal para adultos saudáveis não idosos é pequeno, o que provavelmente se aplica aos profissionais de saúde (PS).

  • Não há evidências publicadas confiáveis que demonstrem um benefício substancial da vacinação de PS para seus pacientes, seja na redução da morbidade/mortalidade ou no aumento das taxas de vacinação dos pacientes.

  • Os argumentos a favor da vacinação uniforme contra a gripe para profissionais de saúde carecem de sustentação na literatura existente, e a decisão de se vacinar deve ser individual, sem coerção.


Introdução


  • A vacinação de todos os profissionais de saúde é amplamente recomendada, baseada no argumento de que a vacinação protege tanto a si próprios quanto seus pacientes devido à proximidade.

  • A crescente pressão, incluindo recomendações para tornar a vacinação obrigatória como condição de emprego, justifica uma análise urgente das evidências.

  • O artigo examina as evidências dos benefícios da vacinação dos profissionais de saúde, focando principalmente na obrigação de proteger os pacientes.


Métodos


  • A discussão se baseou na avaliação crítica de estudos publicados, principalmente ensaios clínicos randomizados (ECRs), e revisões sistemáticas relevantes, examinando o efeito da vacinação.

  • Foi realizada uma busca no Medline por estudos publicados de 1980 até a data da submissão, utilizando termos como "influenza vaccine", "healthcare worker" e "absenteeism".

  • O esforço central foi dirigido a uma nova análise crítica dos ensaios que examinavam o benefício para o paciente, inspecionando a validade interna, a correlação entre conteúdo/conclusões e a aplicabilidade.


Resultados e Discussão


  • Uma revisão Cochrane de 2010 sobre vacinas para adultos saudáveis detectou uma pequena diferença absoluta de cerca de 1% na redução de casos de gripe confirmados, sugerindo que 100 adultos precisariam ser vacinados para prevenir um caso.

  • A vacinação em adultos saudáveis não teve efeito estatisticamente significativo na hospitalização ou complicações, e nenhuma evidência foi encontrada de que previna a transmissão viral.

  • A pequena redução média no tempo de afastamento do trabalho (0,13 dias) devido à vacinação foi de significância estatística limítrofe, e os revisores sugeriram que os resultados desencorajam o uso rotineiro da vacinação em adultos saudáveis.


Alegação: "Profissionais de Saúde Apresentam Maior Risco de Infecção..."


  • Não foram encontrados dados confiáveis sobre as taxas de gripe em profissionais de saúde (ou suas famílias) ou comparações com a população em geral.

  • Ensaios em ambiente hospitalar mostraram resultados inconsistentes: alguns estudos falharam em encontrar uma redução significativa de doenças respiratórias ou licença médica, enquanto outro encontrou uma alta eficácia na prevenção de infecção serologicamente definida, mas sem benefício clínico claro.

  • A pequena quantidade de dados sobre a vacinação de profissionais de saúde não sustenta a ideia de que ela seja mais eficaz para a autoproteção neste grupo do que na população geral.


Alegação: "A Vacinação dos Profissionais de Saúde Reduz o Risco para o Paciente"


  • Embora surtos em hospitais e lares de idosos tenham documentado que a infecção do pessoal precedeu a infecção do paciente, não há estudos que provem que essa relação temporal seja mais frequente do que o esperado por acaso ou que os PS sejam os principais vetores.

  • Os quatro ensaios clínicos randomizados (ECRs) em idosos em instituições de longa permanência, frequentemente citados, concluíram que a vacinação da equipe leva à redução da mortalidade dos pacientes, mas uma inspeção crítica revela falhas metodológicas.

  • Em um dos ECRs, a divergência na mortalidade entre os grupos de pessoal vacinado e não vacinado começou antes do primeiro surto de gripe, sugerindo que a diferença não estava relacionada à influenza.


Análise dos ECRs e Evidências Viciadas


  • Em outro ECR, a associação entre a vacinação da equipe e a mortalidade do paciente perdeu a significância estatística quando os fatores de confusão (como a maior taxa de vacinação do paciente e menor incapacidade basal) foram parcialmente controlados.

  • O resultado dos quatro ECRs sugere que as conclusões sobre o valor preventivo da vacinação da equipe para pacientes idosos resultam de erros metodológicos e "pensamento ilusório" (wishful thinking).

  • Uma revisão sistemática Cochrane de 2010, baseada nos quatro ECRs, concluiu que não há evidência de que a vacinação de PS previna a gripe em idosos em instituições de longa permanência, uma conclusão ignorada pelo comitê consultivo do CDC.


Alegação: "A Vacinação dos PS Aumenta as Taxas de Vacinação Entre Seus Pacientes"


  • Embora exista uma associação fraca ou nula entre o status de vacinação pessoal do médico de atenção primária e a vacinação real do paciente, os ECRs em instituições de longa permanência forneceram resultados inconsistentes.

  • Em um estudo em atenção primária, o aumento das taxas de vacinação da equipe não demonstrou uma associação substancial com o aumento das taxas de vacinação dos pacientes.

  • A vacinação da equipe, portanto, não parece ser um fator importante no aumento da vacinação dos pacientes.


Alegação: "A Vacinação Reduz o Afastamento dos PS por Doença"


  • A vacinação resulta em apenas uma pequena redução, se houver, na licença médica dos profissionais de saúde, o que não pode ser considerado um benefício significativo comprovado para os pacientes.


O Benefício da Vacinação é Uniforme para Todos os PS?


  • Mesmo que as conclusões dos ECRs fossem válidas, elas se aplicariam apenas a instituições de enfermagem de longa permanência e não necessariamente a todas as situações de saúde, como clínicas comunitárias, onde o contato é menos intenso.

  • A crença de que um breve encontro com PS em clínicas comunitárias aumenta substancialmente o risco de contrair gripe não tem base evidente.

  • A importância da vacinação pode diferir dependendo da atividade específica do PS; por exemplo, pode ser necessária para um enfermeiro de hospício, mas supérflua para um escriturário em uma clínica de dermatologia.


Conclusão Final


  • Nenhum dos argumentos a favor da vacinação de profissionais de saúde contra a gripe é sustentado pela literatura existente, sendo a base de evidências precária e tendenciosa.

  • A decisão de se vacinar não é, atualmente e na maioria das situações, uma questão moral, e deve permanecer individual para o profissional de saúde.

  • A evidência para a alegação de que a vacinação de profissionais de saúde protege seus pacientes é extremamente falha e, na melhor das hipóteses, inconclusiva.


Os principais pontos que colocam em dúvida a vacinação dos profissionais de saúde (PS) para proteger os pacientes, conforme o artigo, são:


1. Falta de Evidências Confiáveis de Benefício Substancial para os Pacientes:


  • Os estudos que buscam comprovar a crença generalizada de que a vacinação dos PS diminui a morbidade e mortalidade dos pacientes são considerados "bastante falhos" ou "muito falhos".

  • Nenhuma evidência publicada confiável demonstra que a vacinação dos PS traga um benefício substancial para seus pacientes, seja na redução da morbidade, mortalidade, ou no aumento das taxas de vacinação dos pacientes.

  • O artigo conclui que a base de evidências que apoia a vacinação é "insatisfatória e tendenciosa".


2. Benefício Pessoal Pequeno para Adultos Saudáveis Não Idosos:


  • O benefício pessoal da vacinação para adultos saudáveis não idosos é considerado pequeno, e não há evidências que mostrem que é diferente para os PS.

  • Uma das justificativas para a vacinação dos PS é a autoproteção (PS têm maior risco de infecção); no entanto, o benefício pessoal é questionado.


3. Inexistência de Vantagem Notável na Redução do Absenteísmo:


  • Não há evidências confiáveis que mostrem que a vacinação dos PS resulte em uma vantagem notável na diminuição do absenteísmo por doença dos PS durante a temporada de gripe, embora esse seja um argumento proposto a favor da vacinação.


4. Questão Ética e de Liberdade Individual:


  • O artigo enfatiza que, dada a ausência de evidências muito fortes para um benefício populacional muito forte, a "ação drástica" de obrigar a vacinação, às custas da liberdade pessoal, não deve ser aceita.

  • A decisão de se vacinar deve, atualmente e na maioria das situações, permanecer com o PS individual, de preferência baseada em informações reais.


5. Contexto de Contato Comunitário dos Pacientes:


  • É questionada a premissa de que um breve encontro com PS em clínicas comunitárias aumenta substancialmente o risco de contrair influenza, visto que as pessoas que utilizam esses serviços são geralmente móveis e têm contato repetido e próximo com muitos outros indivíduos em diversos ambientes públicos (supermercados, ônibus, salas de espera, etc.).


Em resumo, o documento argumenta que os argumentos a favor da vacinação uniforme e generalizada dos PS contra a gripe sazonal não são sustentados pela literatura existente e que as evidências são falhas.


O artigo aponta que a discussão dos argumentos a favor da vacinação de profissionais de saúde (PS) se baseia na avaliação crítica dos poucos estudos publicados, principalmente ensaios controlados randomizados (ECRs), que examinam o efeito da vacinação, e em revisões sistemáticas relevantes.


O esforço central da análise foi direcionado a fazer uma nova e crítica avaliação dos ensaios que examinam o benefício para o paciente.


Os métodos usados para a análise enfatizaram a inspeção da validade interna (vício, fatores de confusão, efeitos do acaso) e a correlação entre o conteúdo e as conclusões dos estudos identificados.


Citação: Abramson ZH. What, in Fact, Is the Evidence That Vaccinating Healthcare Workers against Seasonal Influenza Protects Their Patients? A Critical Review. Int J Family Med. 2012;2012:205464. doi: 10.1155/2012/205464. Epub 2012 Nov 11. PMID: 23209901; PMCID: PMC3502850.





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