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Vacinação contra influenza para profissionais de saúde que trabalham com idosos: revisão sistemática



Vacinação contra a gripe para profissionais de saúde que trabalham com idosos: Revisão sistemática


  • O objetivo da revisão é identificar estudos sobre a vacinação contra a gripe em profissionais de saúde (PS) e a gripe em idosos residentes em instituições de longa permanência.

  • A busca foi realizada em sete bases de dados eletrônicas, incluindo ensaios clínicos randomizados (ECR) e não randomizados, com a extração e avaliação da qualidade dos dados feitas por dois revisores de forma independente.

  • Os desfechos primários considerados foram influenza comprovada sorologicamente, pneumonia e óbitos por pneumonia, e a análise agrupada de três ECRs não demonstrou efeito nesses desfechos.


Introdução


  • Profissionais de saúde podem apresentar taxas significativas de gripe clínica e subclínica durante as épocas de gripe, mas faltam dados confiáveis sobre taxas de gripe comprovada sorologicamente e se elas diferem da população geral.

  • A vacinação de PS é uma estratégia para prevenir a disseminação da gripe para idosos em instituições de longa permanência, grupo de alto risco para complicações.

  • A baixa adesão à vacinação entre PS (apenas 36% nos EUA e 35% no Canadá, com taxas mais baixas entre enfermeiros e, em alguns casos, médicos) pode refletir dúvidas sobre a eficácia e efetividade da vacina.


Métodos


  • Os critérios de inclusão e exclusão, medidas de desfecho, métodos de busca, extração de dados, avaliação de risco de viés, medidas de efeito de tratamento e métodos de análise estão detalhados na Tabela 1.

  • A busca atualizada recuperou um total de 554 registros para ECRs e 251 para estudos observacionais, e apenas quatro ECRs em cluster (C-RCTs) e um estudo de coorte foram incluídos.

  • Quatro C-RCTs foram identificados para avaliar o efeito da vacinação de PS sobre os desfechos em idosos institucionalizados, com apenas um apresentando adequação no sigilo de alocação e nenhum sendo cegado.


Conclusões Adicionais


  • Dados agrupados de três ECRs indicaram que a vacinação de PS reduziu a síndrome gripal (SG) nos residentes e, em um ECR, as consultas a clínicos gerais por SG.

  • No entanto, os autores questionam a adequação da mortalidade por todas as causas como desfecho, pois a influenza representa menos de 10% de todos os óbitos, e levantam dúvidas sobre o efeito na redução de SG devido a possíveis fatores de confusão, já que a influenza é responsável por menos de 25% dos casos de SG e não houve redução de influenza comprovada sorologicamente.

  • O financiamento para a atualização da pesquisa foi fornecido pela Colaboração Cochrane, e os autores declaram não ter conflitos de interesse.


O principal desafio ou a causa da baixa adesão à vacinação contra a gripe entre os profissionais de saúde (PS) é a dúvida quanto à efetividade da vacina (sua capacidade de prevenir a síndrome gripal, ILI) e à eficácia (sua capacidade de prevenir a gripe).


Essa baixa adesão é evidente nas taxas de vacinação observadas:


  • Apenas 36% dos PS nos EUA.

  • 35% dos funcionários em instituições de longa permanência no Canadá.

  • Enfermeiros e, em algumas instituições, médicos, tendem a ter taxas de vacinação contra a gripe ainda mais baixas do que outros PS.


Além disso, para aumentar as taxas de vacinação, é importante o design e a execução ideais das campanhas para garantir a intervenção com o mínimo risco de viés decorrente de randomização inadequada, sigilo de alocação, cegamento, atrito, relato incompleto e análise estatística inapropriada.


A vacinação dos profissionais de saúde (PS) que trabalham com idosos em instituições de longa permanência é uma estratégia proposta para prevenir a propagação da gripe para os residentes idosos.


No entanto, a revisão sistemática apresenta conclusões que questionam o impacto direto nos desfechos clínicos mais importantes para os idosos:


  1. Gripe Comprovada Sorologicamente, Pneumonia e Óbitos por Pneumonia: Dados agrupados de três ensaios clínicos randomizados controlados (ECR) não mostraram nenhum efeito da vacinação dos PS nesses desfechos principais.

  2. Mortalidade por Todas as Causas: Dados agrupados de três ECR mostraram menor mortalidade por todas as causas entre os residentes. Contudo, os autores questionam a adequação dessa medida de desfecho, já que a influenza representou menos de 10% de todos os óbitos, mesmo em anos epidêmicos.

  3. Síndrome Gripal (SG): Dados agrupados de três ECR mostraram que a vacinação dos PS reduziu a síndrome gripal. No entanto, os autores questionam se esse efeito se deve a fatores de confusão, pois a influenza representa menos de 25% dos casos de SG e não foi demonstrado que a vacinação contra a influenza em PS reduziu a influenza comprovada sorologicamente nos residentes.


Em resumo, enquanto a vacinação dos PS pode ser uma forma de prevenir a disseminação da gripe, a evidência agrupada de ECRs na revisão sistemática não demonstrou um efeito claro e direto nos principais desfechos clínicos (gripe comprovada sorologicamente, pneumonia e óbitos por pneumonia) nos idosos residentes.


Citação: Thomas RE, Jefferson T, Lasserson TJ. Influenza vaccination for healthcare workers who work with the elderly: systematic review. Vaccine. 2010 Dec 16;29(2):344-56. doi: 10.1016/j.vaccine.2010.09.085. Epub 2010 Nov 18. PMID: 20937313.





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