Alterações neuropatológicas duradouras no cérebro de ratos após a administração neonatal intermitente de timerosal
- Vlog da Ro
- 15 de abr.
- 5 min de leitura
Resumo
O timerosal (THIM), um conservante organomercurial em vacinas, é um suspeito fator iatrogênico que pode contribuir para distúrbios do neurodesenvolvimento pediátrico, como o autismo.
O estudo examinou os efeitos da administração neonatal precoce de THIM (quatro injeções intramusculares nos dias pós-natais 7, 9, 11 e 15) no cérebro em desenvolvimento de ratos.
Foram observadas alterações neuropatológicas duradouras em ratos adultos jovens, incluindo degeneração isquêmica de neurônios no córtex e hipocampo, atrofia da astróglia e reação positiva da caspase-3, documentando a neurotoxicidade do THIM.
Introdução
A toxicidade dos compostos mercuriais, em particular para organismos em desenvolvimento (bebês, crianças e mulheres grávidas), está bem documentada por centenas de anos de experiência humana e publicações científicas.
A hipótese de que a exposição pós-natal a mercuriais está ligada aos Transtornos do Espectro Autista (TEA) surgiu devido à semelhança dos sintomas com o envenenamento por mercúrio, coincidindo com o aumento da exposição ao Hg nas décadas de 1980 e 1990.
Os autores conduziram estudos neurocomportamentais e neuropatológicos em ratos expostos ao THIM, revelando alterações neurocomportamentais e focando neste manuscrito nas alterações morfológicas duradouras em tecidos cerebrais desde o período neonatal.
Materiais e Métodos
Ratas Wistar grávidas foram utilizadas e os filhotes receberam quatro injeções intramusculares de THIM (12 ou 240 μg Hg/kg) ou solução salina (controle) nos dias pós-natais 7, 9, 11 e 15, imitando o esquema de imunização infantil.
Ratos com 8 semanas de idade foram sacrificados, e os cérebros foram fixados e incluídos em parafina para exame microscópico, utilizando coloração histológica (hematoxilina-eosina) e imuno-histoquímica (sinaptofisina, GFAP, caspase-3 ativa).
As estruturas cerebrais analisadas incluíram o córtex pré-frontal, córtex temporal, hipocampo e cerebelo, com a sinaptofisina quantificada automaticamente via software ImageJ para avaliar a densidade sináptica.
Resultados
O peso cerebral de ratos machos e fêmeas tratados com THIM não mostrou efeito significativo, embora houvesse um efeito significativo do sexo e uma possível tendência de leve aumento em machos na dose mais alta.
O córtex pré-frontal e temporal de ratos tratados com THIM exibiu degeneração isquêmica de neurônios e neurônios "escuros", mais notáveis com a dose mais alta de THIM, e o córtex temporal também mostrou alterações patológicas nos vasos sanguíneos.
No hipocampo, as alterações degenerativas nos neurônios foram acompanhadas por atrofia astroglial (astrócitos contraídos) e perda significativa do marcador sinaptofisina, sugerindo redução da densidade sináptica.
Discussão
O estudo documenta que a administração de THIM a ratos lactentes, em doses análogas às usadas em vacinas, causa lesões neuronais e alterações morfológicas e neuroanatômicas em astrócitos em diversas regiões do cérebro.
A degeneração neuronal observada é consistente com lesões cerebrais vistas em pacientes com Doença de Minamata (intoxicação por metilmercúrio), sugerindo um efeito hipoxêmico/anoxêmico e um efeito tóxico direto do mercúrio nas células neuronais.
As ações neurotóxicas do THIM podem evoluir em duas fases: uma fase inicial de toxicidade neuronal aguda (neurônios escuros) e uma fase mais prolongada, resultante do envenenamento crônico de neurônios pelo acúmulo de mercúrio no cérebro.
Referências
A literatura de referência aborda extensivamente a neurotoxicidade do mercúrio (metilmercúrio e timerosal) em diversos modelos, incluindo ratos, camundongos e macacos.
Diversos artigos citados investigam a relação entre o timerosal e o autismo, bem como os efeitos do conservante em doses de vacina no desenvolvimento neurológico e no sistema opioide em roedores.
O corpo de referências inclui estudos que detalham mecanismos de neurotoxicidade, como a indução de apoptose, o papel do estresse oxidativo e o impacto do mercúrio na neurogênese e na glia.
O estudo identificou vários tipos de danos neuropatológicos duradouros no cérebro de ratos adultos jovens após a administração neonatal intermitente de timerosal (THIM).
Os principais tipos de danos e alterações neuropatológicas incluem:
Dano e Degeneração Neuronal:
Degeneração Isquêmica de Neurônios: Observação de degeneração isquêmica de neurônios e a presença de neurônios "escuros".
Localização: Essas lesões foram notadas no córtex pré-frontal e temporal, no hipocampo (especificamente no giro denteado e nos campos CA1 e CA3, sendo as alterações mais proeminentes com doses mais altas de THIM) e no cerebelo.
A degeneração neuronal induzida pelo THIM, como a perda de neurônios no córtex cerebral e no cerebelo, parece ser comum às ações neurotóxicas do THIM e de outros mercuriais.
2. Alterações na Astróglia (Células Gliais):
Atrofia Astroglial: Foi observada atrofia da astróglia (astrócitos) no hipocampo e no cerebelo.
É intrigante que a degeneração neuronal induzida por THIM e a perda de neurônios não foram acompanhadas por astrogliose reativa (proliferação de astrócitos), mas sim por atrofia astrocítica.
3. Dano Sináptico:
Diminuição da Sinaptofisina: O córtex temporal apresentou uma diminuição da reação da sinaptofisina no hipocampo, o que sugere uma redução na densidade sináptica.
4. Ativação de Marcadores de Morte Celular:
Caspase-3 Positiva: Foi detectada uma reação positiva da caspase-3 (um marcador de apoptose) na astróglia de Bergmann.
5. Alterações Vasculares:
Vasos Sanguíneos Patológicos: Foram observadas alterações patológicas nos vasos sanguíneos, particularmente no córtex temporal.
Os resultados deste estudo em ratos ajudam a entender os riscos do timerosal (THIM) em humanos, especialmente em recém-nascidos, ao documentar a neurotoxicidade duradoura do composto em um cérebro em desenvolvimento, em doses análogas ou superiores às usadas em vacinas infantis.
As principais implicações para a saúde humana e o neurodesenvolvimento são:
1. Modelo para Transtornos do Neurodesenvolvimento:
O estudo sugere um provável envolvimento do timerosal em distúrbios do neurodesenvolvimento pediátrico, incluindo o autismo, pois as alterações neuropatológicas encontradas em ratos neonatais expostos ao THIM imitam aquelas observadas em alguns transtornos neurológicos.
O esquema de administração de THIM usado em ratos lactentes imitou o esquema de imunização infantil. A ocorrência de lesões cerebrais extensas sob este esquema
fornece evidências pré-clínicas de que a exposição neonatal ao THIM pode causar danos estruturais no cérebro.
2. Vulnerabilidade do Cérebro em Desenvolvimento:
O cérebro em desenvolvimento é particularmente vulnerável a toxinas ambientais, pois está passando por intensa proliferação celular, migração, sinaptogênese, apoptose, gliogênese e mielinização. O THIM, administrado nesse período crítico, afeta essas funções essenciais.
O estudo demonstra que a administração neonatal de THIM em doses usadas em vacinas multidose causa alterações neuropatológicas generalizadas, como a degeneração isquêmica de neurônios, a atrofia da astróglia e a patologia vascular.
3. Mecanismos de Dano Compartilhados com o Metilmercúrio:
O timerosal é metabolizado em etilmercúrio, que possui propriedades semelhantes ao metilmercúrio. O metilmercúrio é uma neurotoxina conhecida por induzir morte neuronal e causar alterações morfológicas no cérebro humano, como astrocitose.
As alterações neuropatológicas observadas nos ratos (morte neuronal e degeneração isquêmica) são consistentes com a neurotoxicidade induzida pelo metilmercúrio, que já foi documentada.
4. Apoio à Remoção do THIM de Produtos Pediátricos:
Os autores do estudo concluem que os achados documentam a neurotoxicidade do timerosal em doses equivalentes às utilizadas em vacinas infantis, reforçando o argumento pela remoção urgente do THIM de todas as vacinas para crianças e gestantes, bem como de outros produtos medicinais e cosméticos.
Em resumo, o estudo fornece evidências de que a administração neonatal de THIM, simulando a exposição vacinal, resulta em danos estruturais cerebrais permanentes em ratos, sugerindo que esse composto mercurial tem o potencial de impactar negativamente o desenvolvimento neurológico em humanos durante períodos críticos de vulnerabilidade.
Citação: Olczak M, Duszczyk M, Mierzejewski P, Wierzba-Bobrowicz T, Majewska MD. Lasting neuropathological changes in rat brain after intermittent neonatal administration of thimerosal. Folia Neuropathol. 2010;48(4):258-69. PMID: 21225508.
Acessado em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21225508/



Comentários