PERÍCIA MÉDICA JUDICIAL: COMO FUNCIONA E COMO AS FAMÍLIAS DEVEM SE PREPARAR
- Rodrigo Martins Soares

- 13 de abr.
- 3 min de leitura

A perícia médica judicial é uma das etapas mais importantes em processos que envolvem discussão sobre vacinação, contraindicações médicas e eventuais responsabilizações dos pais.
Na prática, é nesse momento que será produzida a principal prova técnica do processo, capaz de influenciar diretamente a decisão do juiz.
Por isso, compreender como funciona essa fase e como se preparar adequadamente é fundamental.
1. O QUE É A PERÍCIA MÉDICA JUDICIAL
A perícia médica é um procedimento determinado pelo juiz, no qual um médico perito judicial, nomeado pelo próprio juízo, realizará uma avaliação técnica para esclarecer questões médicas relevantes ao processo.
No contexto das ações envolvendo vacinação, a perícia normalmente busca verificar:
Se existe contraindicação médica individualizada;
Se há risco à saúde da criança;
Se o atestado médico apresentado possui fundamentação técnica suficiente;
Se há elementos clínicos que justifiquem a não realização da vacinação.
Ao final, o perito apresentará um laudo técnico, que servirá como base para a decisão judicial.
2. COMO FUNCIONA NA PRÁTICA
Durante a perícia, o médico perito poderá:
Realizar entrevista (anamnese) com os responsáveis;
Analisar todo o histórico clínico da criança;
Avaliar atestados, exames e relatórios médicos já apresentados;
Fazer, se necessário, exame clínico direto.
Além disso, o perito deverá responder aos chamados quesitos, que são perguntas
formuladas pelo juiz, pelas partes e pelo Ministério Público.
Esses quesitos são fundamentais, pois direcionam a análise técnica.
3. A IMPORTÂNCIA DO ASSISTENTE TÉCNICO
As famílias têm o direito de indicar um assistente técnico, que é um médico de sua confiança.
Esse profissional poderá:
Acompanhar a perícia;
Apresentar parecer técnico próprio;
Fiscalizar a atuação do perito judicial;
Posteriormente, impugnar o laudo, caso apresente falhas ou conclusões inadequadas.
A presença do assistente técnico é altamente recomendada, especialmente em casos sensíveis como os que envolvem contraindicação vacinal.
4. O QUE LEVAR PARA A PERÍCIA
Uma preparação adequada pode fazer toda a diferença no resultado.
Recomenda-se levar:
✔ Todos os atestados médicos anteriores ✔ Exames laboratoriais e de imagem ✔ Relatórios clínicos detalhados ✔ Histórico de reações adversas (se houver) ✔ Documentos que demonstrem o acompanhamento médico da criança ✔ Prescrições e prontuários
Além disso, é essencial que os responsáveis:
Relatem com clareza qualquer sintoma ou reação já apresentada;
Informem antecedentes familiares relevantes;
Expliquem o contexto clínico de forma objetiva e fiel.
5. PRAZO PARA O LAUDO PERICIAL
Encerrada a perícia, o médico perito judicial terá, em regra, um prazo de aproximadamente 30 (trinta) dias para apresentar o Laudo Médico Pericial.
Nesse documento, o perito irá concluir se:
Existe ou não contraindicação médica;
Há ou não risco individualizado à saúde;
O atestado apresentado possui respaldo técnico.
6. O QUE ACONTECE APÓS O LAUDO
Após a apresentação do laudo:
As partes serão intimadas para se manifestar;
O assistente técnico poderá apresentar parecer crítico;
Caso o laudo seja desfavorável, é possível impugnar tecnicamente o documento, apontando falhas, omissões ou inconsistências.
Essa fase é extremamente relevante, pois o laudo pericial não é absoluto e pode ser questionado.
7. ORIENTAÇÃO FINAL
A perícia médica judicial não é apenas um procedimento formal — trata-se de um momento decisivo do processo.
Uma atuação técnica bem estruturada, com documentação adequada, presença de assistente técnico e formulação correta de quesitos, pode influenciar significativamente o resultado da demanda.
A ANAMV reforça a importância de que as famílias estejam bem orientadas e acompanhadas, garantindo que seus direitos sejam respeitados e que a análise seja feita de forma verdadeiramente individualizada.
8. SAIBA MAIS
Caso ainda não saiba quais quesitos técnicos apresentar, acesse:



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