Um estudo de duas fases avaliando a relação entre a administração de vacinas contendo timerosal e o risco de diagnóstico de transtorno do espectro autista nos Estados Unidos
- Vlog da Ro
- 7 de abr.
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Resumo
O estudo de duas fases avaliou a relação entre a exposição ao mercúrio orgânico proveniente de vacinas contendo timerosal e o risco de diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Na Fase I, observou-se um aumento significativo na razão de risco para a incidência de TEA após a administração da vacina DTaP contendo timerosal.
O estudo fornece novas evidências epidemiológicas que apoiam uma associação entre o aumento da exposição ao mercúrio orgânico proveniente de vacinas e o risco subsequente de um diagnóstico de TEA.
Contexto
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é definido por comprometimentos qualitativos na interação social e comunicação, e padrões estereotipados de comportamento.
Um número significativo de crianças diagnosticadas com TEA apresenta perda de habilidades previamente adquiridas, sugerindo neurodegeneração ou encefalopatia progressiva pós-natal.
Muitos estudos sugerem que a toxicidade, especialmente por mercúrio (Hg), pode ser um fator causal na patologia cerebral do TEA.
Métodos
A Fase I foi um estudo de coorte para geração de hipóteses utilizando o banco de dados VAERS para avaliar a vacina DTaP com timerosal versus sem timerosal administrada entre 1998 e 2000.
A Fase II foi um estudo caso-controle para teste de hipóteses que utilizou o banco de dados VSD para avaliar a exposição ao mercúrio orgânico proveniente de vacinas contra hepatite B contendo timerosal.
Na Fase I, foi utilizado o teste exato de Fisher para comparar a frequência de eventos adversos de TEA relatados ao VAERS em relação ao número total líquido de doses para cada tipo de vacina.
Resultados
Na Fase I, observou-se um aumento significativo de 2,02 vezes na razão de risco para a incidência de TEA após a administração da vacina DTaP contendo timerosal em comparação com a DTaP sem timerosal.
Na Fase II, os casos diagnosticados com TEA tiveram uma probabilidade significativamente maior (razão de chances = 2,18, p < 0,00001) do que os controles de receber 12,5 µg de mercúrio orgânico da vacina contra hepatite B no primeiro mês de vida.
A razão de chances para receber 37,5 µg de mercúrio orgânico (três doses da vacina Hepatite B) nos primeiros seis meses foi de 3,39 (p < 0,001) para casos em comparação com controles.
Discussão
O método epidemiológico de duas fases (VAERS para geração de hipóteses e VSD para teste de hipóteses) já foi descrito por investigadores do CDC e FDA para avaliar riscos de vacinas.
Os resultados observados fornecem insights biológicos potenciais, corroborados por estudos em modelos animais que demonstram níveis significativos de Hg no cérebro após a administração de timerosal.
Estudos anteriores que não encontraram associação podem ter falhado devido ao uso de diferentes metodologias epidemiológicas ou por não considerarem o período adequado de acompanhamento dos indivíduos.
Discussão (Continuação)
Um ponto forte significativo foi o critério de acompanhamento contínuo dos controles no VSD por pelo menos 7,29 anos, o que garantiu que a probabilidade de diagnósticos de TEA terem sido perdidos fosse minimizada.
Os resultados observados nos bancos de dados VAERS e VSD foram consistentes, demonstrando que a exposição ao mercúrio orgânico foi consistentemente associada a um diagnóstico subsequente de TEA.
Embora existam limitações potenciais nos bancos de dados (como subnotificação no VAERS e classificação incorreta), a consistência e a alta significância dos resultados observados tornam improvável que tenham ocorrido por acaso.
Conclusão
O estudo fornece novas evidências epidemiológicas que apoiam a associação entre o aumento da exposição ao mercúrio orgânico proveniente de vacinas infantis contendo timerosal e o risco subsequente de um diagnóstico de TEA.
O momento da exposição ao mercúrio orgânico proveniente da administração de vacinas contendo timerosal está associado a efeitos adversos, indicando que a vacina DTaP sem timerosal geralmente apresentou melhores resultados.
É um imperativo de saúde pública descontinuar a adição desnecessária de mercúrio orgânico nas vacinas, embora a vacinação infantil de rotina seja uma ferramenta importante de saúde pública.
Os autores do estudo sugerem que o mercúrio orgânico (Hg) presente no timerosal das vacinas infantis pode estar relacionado ao risco de diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) das seguintes maneiras:
Toxicidade do Mercúrio Orgânico: O timerosal contém 49,55% de mercúrio (Hg) em peso. Os autores mencionam que muitos estudos sugerem a toxicidade desse metal, especialmente o mercúrio, em indivíduos diagnosticados com TEA.
Exposição Consistente: Em ambas as bases de dados examinadas (VAERS e VSD), a exposição ao mercúrio orgânico proveniente da administração de vacinas contendo timerosal foi consistentemente associada a um diagnóstico subsequente de TEA.
Dose e Momento da Exposição: O estudo fornece evidências que apoiam uma associação entre o aumento da exposição ao mercúrio orgânico proveniente de vacinas infantis contendo timerosal e o risco subsequente de TEA. Especificamente:
Indivíduos com TEA tiveram uma razão de chances significativamente três vezes maior de receber uma vacina contra hepatite B contendo timerosal durante o primeiro mês de vida, em comparação com os controles.
·O estudo encontrou um aumento significativo na razão de risco para TEA após a administração da vacina DTaP contendo timerosal, em comparação com a formulação sem timerosal.
·Dano Neurológico: Há sugestões de que o mercúrio orgânico pode causar lesão neurológica. Pesquisas em animais (camundongos, ratos, etc.) observaram danos neuronais consistentes com aqueles observados no TEA após exposição a vacinas contendo timerosal.
Neurodegeneração Pós-Natal: O TEA é frequentemente associado à perda de habilidades adquiridas, sugerindo neurodegeneração ou encefalopatia progressiva que ocorre após o nascimento. A exposição ao mercúrio orgânico do timerosal pode ser um fator etiológico que contribui para essa neurodegeneração.
Os autores utilizaram um delineamento de estudo em duas fases (geração de hipóteses e teste de hipóteses) para avaliar a relação entre a exposição ao timerosal e o TEA. As comparações entre grupos expostos e não expostos foram realizadas da seguinte forma:
Fase I: Geração de Hipóteses (VAERS - Sistema de Notificação de Eventos Adversos a Vacinas)
Nesta fase, os pesquisadores analisaram o banco de dados VAERS para gerar hipóteses sobre a segurança da vacina.
Comparação da Vacina DTaP: Foi avaliada a relação entre a exposição ao mercúrio orgânico proveniente de uma vacina DTaP contendo timerosal em comparação com uma vacina DTaP sem timerosal.
Fase II: Teste de Hipóteses (VSD - Vaccine Safety Datalink)
Nesta fase, um estudo de caso-controle foi realizado usando o banco de dados VSD para testar as hipóteses geradas. O VSD é um consórcio de organizações de gerenciamento de cuidados de saúde.
Os grupos foram comparados com base nas diferenças de exposição ao mercúrio orgânico proveniente de vacinas contra hepatite B contendo timerosal em momentos específicos da vida. Os principais experimentos caso-controle foram:
1. Experimento I: Comparação da frequência de exposição a 12,5 µg de mercúrio orgânico (proveniente de uma dose de vacina contra hepatite B contendo timerosal no primeiro mês de vida) versus 0 µg de mercúrio orgânico (proveniente da mesma vacina no primeiro mês de vida).
2. Experimento II: Comparação da frequência de recebimento de duas doses da vacina contra hepatite B contendo timerosal (totalizando 25 µg de mercúrio orgânico nos primeiros dois meses de vida) versus 0 µg de mercúrio orgânico (proveniente da mesma vacina).
3. Experimento de 6 meses: Comparação da probabilidade de receber 37,5 µg de mercúrio orgânico (proveniente de vacinas contra hepatite B contendo timerosal nos primeiros seis meses de vida) versus 0 µg de mercúrio orgânico (proveniente de vacinas contra hepatite B contendo timerosal).
Em resumo, a comparação foi feita principalmente entre coortes que receberam vacinas contendo timerosal (expostas a diferentes doses de mercúrio orgânico) e coortes que receberam vacinas que continham menos ou nenhum timerosal (não expostas ou com menor exposição).
Citação: Geier DA, Hooker BS, Kern JK, King PG, Sykes LK, Geier MR. A two-phase study evaluating the relationship between Thimerosal-containing vaccine administration and the risk for an autism spectrum disorder diagnosis in the United States. Transl Neurodegener. 2013 Dec 19;2(1):25. doi: 10.1186/2047-9158-2-25. PMID: 24354891; PMCID: PMC3878266.
Acessado em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24354891/



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