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Um estudo epidemiológico populacional em duas fases sobre a segurança de vacinas contendo timerosal: uma análise de acompanhamento

Resumo


  • O timerosal, um conservante contendo etilmercúrio presente em vacinas (VCTs), resultou na exposição de crianças a doses de mercúrio que excediam os limites de segurança estabelecidos.

  • Foi realizado um estudo epidemiológico populacional em duas fases para avaliar a segurança das vacinas contendo timerosal em relação aos transtornos do neurodesenvolvimento (TNDs).

  • Os dados indicaram que a exposição ao mercúrio proveniente de vacinas conjugadas contra o tétano foi um fator de risco significativo e consistente para o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas.


Contexto e Material/Métodos


  • O objetivo foi expandir estudos anteriores e avaliar a relação entre as vacinas infantis contendo timerosal e os TNDs, utilizando uma análise epidemiológica do VAERS (Fase I) e do VSD (Fase II).

  • A Fase I consistiu em uma análise caso-controle do Sistema de Notificação de Eventos Adversos a Vacinas (VAERS) (1997–2001), comparando vacinas DTaP contendo e sem timerosal.

  • A Fase II utilizou o banco de dados automatizado de segurança de vacinas (VSD) para avaliar a exposição cumulativa ao mercúrio (aos 1, 2, 3 e 6 meses de idade) e o risco de desenvolvimento de TNDs (códigos CID-9) em crianças nascidas entre 1992 e 1997.


Resultados


  • A análise do VAERS demonstrou que a notificação de eventos adversos neutros de controle (como lesão acidental ou convulsões febris) foi semelhante entre as vacinas DTaP com e sem timerosal.

  • A Fase I revelou uma associação significativa entre vacinas DTaP contendo timerosal e diversos TNDs, incluindo autismo (OR=1,8) e distúrbios da fala (OR=2,6), em comparação com vacinas sem timerosal.

  • A análise do VSD (Fase II) encontrou correlações positivas significativas entre a exposição cumulativa ao timerosal em idades específicas e o risco relativo para tiques, TDAH, atrasos não especificados de desenvolvimento e atrasos de linguagem/fala.


Discussão e Conclusões


  • Os resultados do VAERS e do VSD foram considerados uma forte evidência epidemiológica de uma relação entre a administração de vacinas infantis contendo timerosal nos EUA e os distúrbios do neurodesenvolvimento.

  • Evidências clínicas e moleculares sugerem que crianças autistas possuem uma carga corporal de mercúrio significativamente maior e deficiências bioquímicas, como a redução da glutationa, que prejudicam a excreção de mercúrio.

  • Estudos moleculares indicam que o timerosal pode induzir neurodegeneração ao inibir a atividade da metionina sintase, o que reforça o mecanismo biológico para a associação observada.


O estudo epidemiológico populacional de duas fases identificou uma associação significativa e consistente entre a exposição ao mercúrio proveniente de vacinas contendo timerosal e o desenvolvimento de diversos transtornos e doenças neurodegenerativas e do neurodesenvolvimento.


Os principais riscos e distúrbios identificados nas duas fases de análise foram:


Fase I (Análise do Banco de Dados VAERS):


Houve um aumento significativo nos riscos de notificação de:


  • Autismo

  • Distúrbios da fala

  • Deficiência intelectual

  • Transtornos de personalidade

  • Alterações do pensamento


Fase II (Análise do Banco de Dados VSD):


Foram observadas associações significativas entre a exposição cumulativa ao timerosal e os seguintes tipos de transtornos do neurodesenvolvimento:


  • Atraso no desenvolvimento não especificado

  • Tiques

  • Transtorno de Déficit de Atenção (TDAH)

  • Atraso na linguagem

  • Atraso na fala

  • Atrasos no neurodesenvolvimento em geral


Em suma, o estudo demonstrou que a exposição ao mercúrio das vacinas conjugadas contra tétano administradas nos EUA foi um fator de risco significativo e consistente para o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas.


Além disso, o timerosal é classificado pela Agência de Proteção Ambiental da Califórnia como uma toxina do desenvolvimento, capaz de causar defeitos congênitos, baixo peso ao nascer, disfunções biológicas ou déficits psicológicos ou comportamentais que se manifestam à medida que a criança cresce.


A comparação entre as vacinas contendo timerosal e as vacinas sem timerosal foi realizada de forma distinta em cada uma das duas fases do estudo epidemiológico populacional:


Fase I: Análise do Banco de Dados VAERS (Sistema de Notificação de Eventos Adversos a Vacinas)


Nesta fase, o foco foi a comparação da taxa de relatos de distúrbios do neurodesenvolvimento entre crianças que receberam vacinas DTaP (difteria, tétano, coqueluche acelular) contendo timerosal versus aquelas que receberam vacinas DTaP sem timerosal.


  • População e Exposição: Foram analisados os eventos adversos relatados após a administração de vacinas DTaP (com e sem timerosal) distribuídas/administradas entre 1997 e 2001. As doses de vacinas DTaP distribuídas/administradas foram contabilizadas (59.720.009 doses contendo timerosal e 29.161.630 doses sem timerosal).

  • Controle de Variáveis: Verificou-se que as vacinas DTaP, tanto as que continham timerosal quanto as que não continham, foram administradas a populações com distribuição, estado de saúde e dispersão geográfica semelhantes. A mediana geral de idade para o total de eventos adversos relatados também foi semelhante (1,3 anos) em ambos os grupos.

  • Resultado da Comparação: Os resultados mostraram uma relação significativa entre vacinas infantis contendo timerosal e transtornos do neurodesenvolvimento na infância, com base nesta avaliação controlada do banco de dados VAERS.


Fase II: Análise do Banco de Dados VSD (Vaccine Safety Datalink)


Nesta fase, em vez de comparar diretamente a presença ou ausência de timerosal em uma vacina específica (como o DTaP), a metodologia focou na exposição cumulativa ao mercúrio em diferentes momentos da vida da criança.


  • Exposição: Foi avaliada a quantidade total de mercúrio à qual as crianças foram expostas por meio de vacinas contendo timerosal (especificamente vacinas conjugadas contra tétano e coqueluche - TCV) aos 1, 2, 3 e 6 meses de idade.

  • Avaliação de Risco: O risco de desenvolvimento de distúrbios do neurodesenvolvimento foi determinado a partir dessas exposições cumulativas. As análises incluíram a verificação da consistência da associação observada entre a exposição ao timerosal e o desfecho, e a análise de um efeito dose-resposta.


O objetivo de usar dois métodos completamente diferentes (comparação VAERS e exposição cumulativa VSD) em duas bases de dados distintas foi verificar se seria possível observar uma associação geral consistente entre vacinas contendo timerosal e distúrbios do neurodesenvolvimento.


Citação: Geier DA, Geier MR. A two-phased population epidemiological study of the safety of thimerosal-containing vaccines: a follow-up analysis. Med Sci Monit. 2005 Apr;11(4):CR160-70. Epub 2005 Mar 24. PMID: 15795695.




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