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Uma relação dose-resposta entre a exposição ao mercúrio orgânico de vacinas contendo timerosal e distúrbios do neurodesenvolvimento

Resumo


  • Um estudo caso-controle avaliou a relação dose-resposta entre a exposição ao mercúrio orgânico (Hg) proveniente de vacinas contendo timerosal (T-HBV) e o risco de transtornos do neurodesenvolvimento (DNs).

  • Os casos de DN examinados incluíram transtorno global do desenvolvimento, atraso específico do desenvolvimento, transtorno de tiques e síndrome hipercinética da infância.

  • Casos de transtorno do espectro autista (TEA) (RC = 1,054), atraso específico do desenvolvimento (RC = 1,035), transtorno de tiques (RC = 1,034) e síndrome hipercinética da infância (RC = 1,05) apresentaram maior probabilidade de exposição aumentada ao mercúrio orgânico.


Introdução


  • O timerosal é um composto orgânico de mercúrio (49,55% de Hg em peso) utilizado como conservante, e bebês nos EUA podem ter sido expostos a doses cumulativas nominais de 200 µg de Hg orgânico de vacinas contendo timerosal (TCVs) nos primeiros seis meses de vida.

  • O presente estudo de caso-controle teve como objetivo avaliar a potencial relação dose-resposta entre a exposição ao mercúrio orgânico proveniente de T-HBVs administradas nos primeiros seis meses de vida e o risco subsequente de diagnóstico de DNs específicos no banco de dados Vaccine Safety Datalink (VSD).

  • O protocolo do estudo foi aprovado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e pelos Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) da Kaiser Permanente North-West (KPNW) e Northern California (KPNC).


Seção Experimental


  • A coorte analisada foi composta por indivíduos do projeto VSD com dados de nascimento e sexo presentes, inscritos em um plano de saúde desde o nascimento, totalizando mais de 1,9 milhão de bebês.

  • Os casos de DN foram determinados a partir dos registros de diagnósticos de pacientes internados e ambulatoriais, utilizando códigos específicos da Classificação Internacional de Doenças (CID-9) para TGD, atrasos específicos no desenvolvimento, transtorno de tiques e síndrome hipercinética da infância.

  • Foram examinados desfechos de controle sem ligação biologicamente plausível com a exposição pós-natal ao mercúrio orgânico, como convulsão febril, falha no crescimento e degeneração cerebral.


Metodologia e Análise


  • Os controles foram identificados como aqueles inscritos continuamente desde o nascimento até a idade média do diagnóstico inicial do caso mais o dobro do desvio padrão (ou um desvio padrão para transtorno de tiques e síndrome hipercinética da infância), para garantir uma chance mínima de diagnóstico.

  • A exposição ao mercúrio orgânico foi atribuída como 12,5 μg de Hg orgânico por dose da vacina pediátrica contra hepatite B, ou 0 μg para vacinas combinadas ou ausentes.

  • As análises estatísticas empregaram regressão logística para determinar a razão de chances (OR) por μg de mercúrio orgânico de T-HBVs, além do teste exato de Fisher para comparações discretas de dose.


Resultados e Discussão


  • Casos diagnosticados com DNs (TGD, atraso específico, transtorno de tiques e síndrome hipercinética da infância) apresentaram significativamente maior probabilidade de receber maior exposição ao mercúrio orgânico (p < 0,001 para todos).

  • Para a dose cumulativa máxima examinada (37,5 μg de mercúrio orgânico), os casos de DNs apresentaram ORs significativamente mais elevadas do que os controles, variando de 2,3 a 3,0.

  • A análise separada por sexo mostrou que casos masculinos de transtorno do espectro autista (OR = 1,07) e casos femininos de atraso específico no desenvolvimento (OR = 1,03) tiveram maior probabilidade de receber exposição aumentada.


Pontos Fortes e Limitações


  • A plausibilidade biológica dos resultados é sustentada por pesquisas anteriores que mostraram a presença de níveis significativos de Hg no cérebro de macacos bebês e o transporte ativo de etil-Hg através de membranas neuronais após a administração de TCVs.

  • Os pontos fortes do estudo incluem a avaliação retrospectiva de registros médicos automatizados coletados prospectivamente e o acompanhamento suficiente dos controles para minimizar a chance de um diagnóstico subsequente de DN.

  • Limitações potenciais incluem a existência de vieses desconhecidos, fatores de confusão ou o não ajuste para outras fontes ambientais de mercúrio, embora tais fatores tenderiam a enviesar os resultados em direção à hipótese nula.


Conclusões


  • Este estudo fornece novas evidências epidemiológicas que corroboram uma relação significativa entre o aumento da exposição ao mercúrio orgânico proveniente de TCVs e o risco subsequente de diagnóstico de doenças neurodegenerativas.

  • É um imperativo de saúde pública descontinuar a adição desnecessária de timerosal às vacinas, devido à associação demonstrada com desfechos adversos.

  • Estudos futuros devem aprofundar a relação entre outras fontes e o momento da exposição ao mercúrio orgânico de TCVs associado às consequências adversas.


Vou te explicar como os pesquisadores definiram e quantificaram a exposição ao mercúrio orgânico no estudo:


1. Fonte e Tipo de Mercúrio: A exposição analisada foi a dose total cumulativa de mercúrio orgânico (Hg) proveniente especificamente das vacinas contra hepatite B contendo timerosal (T-HBVs), administradas durante os primeiros seis meses de vida da criança.


2. Atribuição da Dose (Por Injeção): Os pesquisadores definiram a quantidade de mercúrio atribuída por dose da seguinte forma:


  • Indivíduos que receberam a vacina pediátrica contra a hepatite B foram atribuídos a uma exposição de 12,5 μg de mercúrio orgânico por dose.

  • Indivíduos que receberam a vacina combinada (Haemophilus influenzae tipo b (Hib) e hepatite B) ou que não receberam nenhuma dessas vacinas foram atribuídos a 0 μg de mercúrio orgânico por dose.

  • O timerosal é um composto de mercúrio que tipicamente contém 12,5 μg ou 25 μg de Hg orgânico por dose de 0,5 mL de vacina.


3. Medição e Análise: A exposição foi medida como a dose total cumulativa, calculada em microgramas (μg).


Para a análise, os pesquisadores compararam a frequência de exposição ao mercúrio orgânico entre casos e controles usando níveis de exposição discretos em comparação com 0 μg. Esses níveis discretos de exposição examinados foram: 12,5 μg, 25 μg ou 37,5 μg de mercúrio orgânico.


Os principais distúrbios do neurodesenvolvimento (NDs) que apresentaram uma probabilidade significativamente maior de estarem associados ao aumento da exposição ao mercúrio orgânico (proveniente das vacinas contendo timerosal) foram:


  1. Transtorno do Espectro Autista (TEA) (Razão de Chances (RC) = 1,054)

  2. Síndrome Hipercinética da Infância (RC = 1,05)

  3. Atraso Específico do Desenvolvimento (RC = 1,035)

  4. Transtorno de Tiques (RC = 1,034)


Essas razões de chances foram calculadas com base em cada micrograma de mercúrio orgânico.


Especificamente para o sexo feminino, também foi observada uma probabilidade significativamente maior de exposição aumentada ao mercúrio orgânico nos casos diagnosticados com atraso específico no desenvolvimento (RC = 1,03), transtorno de tiques (RC = 1,05) e síndrome hipercinética da infância (RC = 1,04).


Citação: Geier DA, Hooker BS, Kern JK, King PG, Sykes LK, Geier MR. A dose-response relationship between organic mercury exposure from thimerosal-containing vaccines and neurodevelopmental disorders. Int J Environ Res Public Health. 2014 Sep 5;11(9):9156-70. doi: 10.3390/ijerph110909156. PMID: 25198681; PMCID: PMC4199012.





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