Aparecimento de cepas de Bordetella pertussis que não expressam o antígeno vacinal pertactina na Finlândia.
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CARTA AO EDITOR
É a primeira vez que isolados de Bordetella pertussis que não expressam Pertactina (Prn) são encontrados na Finlândia, após a introdução de vacinas acelulares contendo este antígeno.
Os isolados finlandeses não-expressores de Prn (PRCB697 e PRCB698) foram detectados em crianças com coqueluche em 2011, oito anos após a introdução da vacina de reforço acelular.
Foi desenvolvido um ensaio imunoenzimático indireto (ELISA) para monitorar a expressão de Prn, considerado rápido e confiável para um grande número de isolados clínicos.
MÉTODOS E RESULTADOS
O estudo incluiu 85 cepas: 76 isolados clínicos finlandeses (2006-2011), 7 linhagens de referência (alelos prn1 e prn3 a prn8) e 2 isolados franceses Prn-negativos.
Utilizando o ELISA indireto, 74 dos 76 isolados clínicos foram confirmados como Prn-positivos, e 2 (PRCB697 e PRCB698) foram classificados como Prn-negativos.
A análise genética dos isolados finlandeses Prn-negativos revelou uma deleção de 84 bp na sequência sinal de Prn, mas abrigavam o gene prn1, diferente dos isolados franceses Prn-negativos que possuíam prn2.
CONCLUSÃO
O surgimento de isolados de B. pertussis deficientes em Prn é alarmante e já foi relatado em muitos países após a introdução de vacinas acelulares.
Os resultados destacam a importância da vigilância microbiana contínua para analisar a evolução e o impacto de microrganismos relevantes.
Na Finlândia, a cobertura vacinal tem sido alta (>90%) desde os anos 1970, com a substituição da vacina DTwP por DTaP (contendo Prn) em 2005 e a introdução de reforços acelulares.
AGRADECIMENTOS E REFERÊNCIAS
O trabalho foi financiado por uma bolsa do Fundo Governamental Especial para Hospitais Universitários (EVO).
Os autores agradeceram a GlaxoSmithKline Biologicals pelo fornecimento da Prn purificada e a Elisa Rehnberg pela assistência técnica.
As referências citadas abordam temas como o surgimento de variantes antigênicas após a vacinação e a caracterização de isolados de B. pertussis deficientes em Pertactina.
A ausência do antígeno pertactina (Prn) nas cepas de Bordetella pertussis pode afetar a proteção da vacina contra a coqueluche porque a Prn é um dos componentes essenciais nas vacinas acelulares utilizadas.
As vacinas acelulares contra coqueluche (DTaP) administradas na Finlândia (e em muitos outros países) contêm vários componentes, incluindo a toxina pertussis detoxificada (PTd), a hemaglutinina filamentosa (FHA) e a pertactina (Prn).
Evasão da Resposta Imunológica: O surgimento de cepas que não expressam Prn pode ser uma forma de evasão do patógeno. A hipótese para o surgimento dessas variantes antigênicas é que o organismo se adapta à pressão seletiva da vacinação. Se o sistema imunológico for treinado pela vacina a reconhecer e atacar a Prn, uma cepa que deixa de expressar esse antígeno pode ter uma vantagem de sobrevivência (mecanismo de escape).
Impacto na Eficácia da Vacina: A proteção fornecida pela vacina DTaP depende da imunidade contra todos os componentes vacinais. Se uma cepa circulante não expressa um desses componentes (Prn), a resposta imune induzida por aquele antígeno na vacina não será eficaz contra a infecção. O artigo menciona que o surgimento de isolados deficientes em Prn é alarmante em países onde vacinas acelulares foram introduzidas.
O estudo destaca a importância da vigilância microbiana para analisar a evolução e o impacto dos microrganismos, especialmente porque o surgimento de cepas deficientes em Prn foi associado à introdução de vacinas acelulares.
O método usado para identificar se os isolados de Bordetella pertussis expressavam ou não o antígeno pertactina (Prn) foi um ensaio imunoenzimático indireto (ELISA).
Os princípios desse ELISA indireto foram baseados em métodos previamente descritos para sorotipagem de B. pertussis.
O procedimento envolveu:
Revestimento da Placa: A placa de microtitulação foi revestida durante a noite à temperatura ambiente com a suspensão bacteriana inativada.
Detecção: Para a detecção da Prn, foi utilizado um anticorpo monoclonal PeM4 (diluído em solução salina tamponada com fosfato [PBS] a 1:1.000). O PeM4 é específico para Prn e foi comprovado que ele se liga à região 1 da proteína.
Medição: Após a incubação com o substrato, a absorbância foi medida a 405 nm.
Este método se mostrou rápido, confiável e adequado para monitorar a expressão de Prn em um grande número de isolados clínicos.
Como controles, dois isolados franceses Prn-negativos (FR3693 e FR3793) foram usados como controles negativos, e a Prn purificada foi usada como controle positivo.
Citação: Barkoff AM, Mertsola J, Guillot S, Guiso N, Berbers G, He Q. Appearance of Bordetella pertussis strains not expressing the vaccine antigen pertactin in Finland. Clin Vaccine Immunol. 2012 Oct;19(10):1703-4. doi: 10.1128/CVI.00367-12. Epub 2012 Aug 22. PMID: 22914363; PMCID: PMC3485885.
Acessado em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22914363/



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