Coqueluche epidêmica em 2012 - o ressurgimento de uma doença evitável por vacina
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Perspectiva sobre a Epidemia de Coqueluche em 2012
Os Estados Unidos estavam enfrentando o que poderia ser o maior surto de coqueluche em 50 anos, uma doença teoricamente evitável por vacina, sugerindo um ressurgimento preocupante.
A imunização nos EUA reduziu drasticamente a incidência média de coqueluche, de 157 por 100.000 no início da década de 1940 para menos de 1 por 100.000 em 1973, mas a incidência começou a aumentar gradualmente por volta de 1982.
A coqueluche não confere imunidade vitalícia por infecção ou imunização, permitindo que os ciclos de surtos continuem e a Bordetella pertussis circule de forma semelhante à era pré-vacinal.
Causas da Alta Prevalência Atual de Coqueluche
O aumento inicial de casos reportados pode ser atribuído a uma maior conscientização, impulsionada pela atenção da mídia sobre a segurança das vacinas e pelos estudos de eficácia nos anos 70 a 90, resultando em melhoria na notificação.
O uso crescente de ensaios de reação em cadeia da polimerase (PCR) para diagnóstico também tem contribuído para o aumento nos casos reportados, como visto na diferença entre as epidemias de 2005 e 2010 na Califórnia.
Um fator de preocupação é a menor potência das vacinas acelulares contra a difteria, tétano e coqueluche (DTaP) em comparação com as vacinas de células inteiras anteriores (DTP), e há dados que sugerem o declínio da imunidade induzida pela DTaP após a quinta dose.
Considerações Adicionais e Medidas Propostas
Embora tenham ocorrido mudanças genéticas nos antígenos da B. pertussis, não há evidências claras de que essas mudanças estejam causando falhas nas vacinas, como indicado pela situação na Dinamarca.
É crucial que a indústria, o Centro de Avaliação e Pesquisa de Produtos Biológicos do FDA e especialistas em coqueluche trabalhem imediatamente no desenvolvimento de vacinas mais eficazes.
Estratégias como a vacinação de mulheres grávidas e a implementação do "cocooning" (vacinação de pessoas em contato com bebês) são fundamentais para proteger recém-nascidos, que enfrentam altas taxas de complicações e morte.
A coqueluche voltou a ser um problema mesmo com a vacinação por várias razões inter-relacionadas, incluindo:
1. Imunidade Não Vitalícia
Nem a infecção natural nem a imunização conferem imunidade vitalícia contra a coqueluche, o que significa que os ciclos de surtos continuam a ocorrer e a bactéria Bordetella pertussis continua a circular, de forma semelhante à era pré-vacinal.
2. Mudança no Tipo de Vacina e Declínio da Imunidade
Preocupações com a segurança da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP) levaram ao desenvolvimento de novas vacinas acelulares (DTaP).
Há indícios de que as vacinas acelulares (DTaP) podem ser menos potentes e a imunidade induzida por elas pode declinar mais rapidamente após a série de vacinação primária, o que contribui para o ressurgimento da doença. O autor questiona: "Por que as vacinas contra a coqueluche falham?".
3. Maior Conscientização e Melhor Vigilância
Um aumento inicial no número de casos reportados sugeriu que a principal razão para o ressurgimento foi, na verdade, uma maior conscientização.
A intensa atenção da mídia sobre a segurança das vacinas e numerosos estudos sobre a DTaP nas décadas de 1970 a 1990 resultaram na publicação de centenas de artigos sobre a coqueluche, levando a uma vigilância mais completa e, consequentemente, a uma incidência reportada mais alta.
A epidemiologia dos casos reportados depende do programa de vigilância; quanto mais completo, maior será a incidência reportada.
Em resumo, enquanto a imunização inicialmente reduziu drasticamente a incidência, a combinação de imunidade não vitalícia, o uso de vacinas acelulares com potencial declínio da proteção e uma melhor vigilância da doença permitiu que a coqueluche voltasse a se manifestar em proporções epidêmicas.
Para controlar as epidemias atuais de coqueluche, o artigo sugere as seguintes abordagens e medidas:
1. Aceleração do Esquema de Vacinação em Lactentes:
Iniciar a imunização com a vacina DTaP (componente acelular da coqueluche) em uma idade mais precoce, com intervalos mais curtos entre as doses.
Um esquema sugerido é iniciar a imunização ao nascimento, permitindo que as três primeiras doses sejam completadas até os 3 meses de idade.
Essa abordagem é baseada no sucesso do passado, quando a série primária de três doses era concluída entre os 3 e 5 meses de idade, durante o período de maior redução na incidência de coqueluche nos Estados Unidos (1954–1974).
2. Imunização de Pessoas em Contato com Lactentes (Estratégia "Cocooning"):
Continuar a implementar a estratégia "cocooning", que envolve a vacinação de pessoas que têm contato com lactentes. No entanto, o texto observa que essa estratégia é frequentemente prejudicada por problemas logísticos.
3. Imunização de Gestantes:
Imunizar mulheres grávidas é considerado fundamentalmente sólido. Essa medida:
Reduz o risco de a mãe adquirir coqueluche na época do parto.
Fornece ao bebê alguma proteção por talvez 1 a 2 meses.
No entanto, a imunização de mulheres com múltiplas gestações em um curto período com uma vacina contendo toxoide tetânico (Tdap) pode resultar em aumento de reações locais.
4. Reconhecimento de Sucessos Passados e Implementação de Novas Diretrizes:
O artigo conclui que em 2012 era hora de "reconhecer os sucessos do passado e implementar novos estudos e diretrizes para o controle da coqueluche no futuro".
Citação: Cherry JD. Epidemic pertussis in 2012--the resurgence of a vaccine-preventable disease. N Engl J Med. 2012 Aug 30;367(9):785-7. doi: 10.1056/NEJMp1209051. Epub 2012 Aug 15. PMID: 22894554.
Acessado em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22894554/



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