Impacto da vacinação contra influenza na mortalidade sazonal na população idosa dos EUA
- Vlog da Ro
- 14 de jun.
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Investigação Original e Contexto
Estudos observacionais indicavam que a vacinação contra a gripe reduzia o risco de mortalidade por todas as causas no inverno em 50% entre idosos, apesar do aumento da cobertura vacinal (15%-20% antes de 1980 para 65% em 2001) ter coincidido com um aumento nas estimativas de mortalidade relacionada à gripe.
Os pesquisadores buscaram conciliar esses achados conflitantes ajustando as estimativas de excesso de mortalidade para o envelhecimento e o aumento da circulação do vírus influenza A(H3N2).
O objetivo era analisar o impacto da vacinação contra a gripe na mortalidade sazonal em idosos nos EUA.
Métodos
Foi utilizado um modelo de regressão cíclica (tipo Serfling) para estimar a mortalidade nacional sazonal relacionada à gripe (excesso de mortalidade) entre idosos (≥65 anos), abrangendo pneumonia e gripe, e óbitos por todas as causas,,.
Os dados foram extraídos dos bancos de dados nacionais de múltiplas causas de morte e estratificados em faixas etárias de 5 anos (65-69 a ≥95 anos) para 33 temporadas de 1968 a 2001,.
As temporadas de gripe foram separadas em aquelas dominadas pelo vírus A(H3N2) e as dominadas por A(H1N1) ou B, e os dados de mortalidade em excesso foram ajustados para a distribuição etária da população de 1970.
Resultados
Para pessoas de 65 a 74 anos, as taxas de mortalidade em excesso em temporadas dominadas por A(H3N2) diminuíram entre 1968 e o início da década de 1980, mas permaneceram constantes depois.
A taxa de mortalidade em excesso para pessoas com 85 anos ou mais permaneceu estável ao longo de todo o período de estudo.
A mortalidade em excesso por todas as causas para pessoas com 65 anos ou mais nunca excedeu 10% de todas as mortes no inverno.
Conclusões e Discussão
A redução da mortalidade relacionada à gripe na faixa etária de 65 a 74 anos após a pandemia de 1968 foi atribuída à aquisição de imunidade natural ao vírus A(H3N2) emergente.
Não foi possível correlacionar o aumento da cobertura vacinal após 1980 com a redução das taxas de mortalidade em qualquer faixa etária, sugerindo que os estudos observacionais superestimam substancialmente o benefício da vacinação,.
Os autores sugerem que a discrepância entre seus achados e os estudos observacionais pode ser explicada por um viés sistemático (disparidade na vacinação), onde idosos muito doentes e frágeis, com alto risco de mortalidade no inverno, são menos propensos a serem vacinados.
Os autores notaram que, embora a cobertura vacinal contra a gripe entre os idosos nos EUA tenha aumentado significativamente (de 15%-20% antes de 1980 para 65% em 2001), as estimativas de mortalidade relacionada à gripe nessa faixa etária inesperadamente aumentaram durante o mesmo período.
Eles tentaram conciliar esses achados conflitantes ajustando as estimativas de excesso de mortalidade para dois fatores principais:
Envelhecimento da População: Ajuste para o aumento da idade.
Aumento da Circulação do Vírus A(H3N2): Ajuste para o aumento da frequência de temporadas dominadas pelo vírus Influenza A(H3N2).
Ajustar para a dominância do vírus A(H3N2) era crucial porque a mortalidade é significativamente mais alta nas temporadas dominadas por A(H3N2) em comparação com A(H1N1) ou B.
Apesar do aumento de 50 pontos percentuais na cobertura vacinal entre idosos após 1980, os autores não encontraram evidências de que isso tenha resultado na redução esperada de 35% a 40% na mortalidade em excesso (tanto por pneumonia e gripe quanto por todas as causas) em qualquer faixa etária.
Em vez de atribuir a estabilidade (ou o aparente aumento não ajustado) da mortalidade à ineficácia da vacinação, eles concluíram que a redução da mortalidade observada em certas
faixas etárias (65-74 anos) após 1968 foi primariamente devido à aquisição de imunidade natural ao vírus A(H3N2) emergente.
Em resumo, a explicação para a falta de redução (ou aumento aparente) na mortalidade sazonal, apesar da alta vacinação, era que:
O aumento da vacinação após 1980 não pôde ser correlacionado com a redução das taxas de mortalidade.
O benefício de mortalidade pode ter sido substancialmente menor do que se pensava.
A mortalidade em excesso permaneceu constante (ou diminuiu inicialmente por outras razões) porque o benefício da vacinação forneceu pouco ou nenhum benefício adicional de mortalidade além da imunização natural adquirida.
Eles sugerem que os estudos observacionais anteriores superestimaram o benefício da vacinação, concluindo que menos de 10% de todas as mortes no inverno foram atribuíveis à gripe em qualquer estação.
Os autores utilizaram um modelo de regressão cíclica para gerar estimativas sazonais da mortalidade nacional relacionada à gripe (denominada "excesso de mortalidade") entre idosos.
Eles aplicaram este modelo para estimar a mortalidade em excesso tanto por pneumonia e gripe (P&G) quanto por todas as causas.
Para refinar a análise, eles estratificaram os dados de mortalidade das 33 temporadas (de 1968 a 2001) da seguinte forma:
Faixa Etária: Os dados foram separados em faixas etárias de 5 anos.
Subtipo Viral Dominante: As temporadas dominadas pelo vírus Influenza A(H3N2) foram analisadas separadamente das temporadas dominadas por A(H1N1) e/ou B.
A mortalidade relacionada à gripe deve ser determinada indiretamente usando modelos estatísticos que estimam o excesso sazonal de inverno (P&G ou todas as causas) acima de uma linha de base de mortalidade esperada.
Em uma etapa crucial para conciliar os achados conflitantes (aumento da vacinação versus aumento da mortalidade estimada), eles ajustaram as estimativas de excesso de mortalidade para o envelhecimento e o aumento da circulação do vírus influenza A(H3N2).
Citação: Simonsen L, Reichert TA, Viboud C, Blackwelder WC, Taylor RJ, Miller MA. Impact of influenza vaccination on seasonal mortality in the US elderly population. Arch Intern Med. 2005 Feb 14;165(3):265-72. doi: 10.1001/archinte.165.3.265. PMID: 15710788.
Acessado em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15710788/



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