Intervenções físicas para interromper ou reduzir a disseminação de vírus respiratórios: revisão sistemática
- Vlog da Ro
- 12 de jun.
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Resumo
O objetivo desta revisão sistemática foi analisar evidências da eficácia de intervenções físicas (como higiene, barreiras e distanciamento social) na interrupção ou redução da disseminação de vírus respiratórios.
A meta-análise de seis estudos de caso-controle indicou alta eficácia de medidas físicas para prevenir a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), incluindo lavagem das mãos (>10 vezes/dia), uso de máscaras (simples ou N95), luvas e aventais.
Embora a implementação rotineira e a longo prazo possa ser difícil, intervenções simples e de baixo custo demonstram reduzir a transmissão de vírus respiratórios epidêmicos.
Introdução
Infecções virais epidêmicas e pandêmicas, como a gripe H1N1 e o surto de SARS, representam uma ameaça global séria.
A revisão sistemática foi realizada para atualizar uma revisão Cochrane anterior de 2007 sobre a eficácia de medidas de saúde pública, como isolamento, distanciamento e barreiras, para conter a propagação de vírus respiratórios.
Atualmente, as intervenções pandêmicas priorizam vacinas e antivirais, apesar da falta de evidências que apoiem seu uso generalizado, enquanto intervenções físicas são subestimadas.
Métodos
Foram incluídos ensaios clínicos (randomizados ou quase-randomizados), estudos observacionais (coorte e caso-controle) e outros desenhos comparativos que tentassem controlar fatores de confusão.
As fontes de dados incluíram a Cochrane Library, Medline, OldMedline, Embase e CINAHL, sem restrições de idioma ou publicação, utilizando filtros para diversos desenhos de estudo.
O risco de viés em estudos randomizados e não randomizados foi avaliado separadamente, utilizando escalas como a Newcastle-Ottawa para estudos observacionais.
Resultados
Foram incluídos 58 artigos, totalizando 59 estudos, sendo que a qualidade dos ensaios clínicos randomizados e da maioria dos ensaios clínicos randomizados por conglomerados foi considerada baixa.
A lavagem das mãos demonstrou eficácia na redução de doenças respiratórias em crianças e em ambientes domiciliares, conforme ensaios randomizados por conglomerados de maior qualidade.
Estudos de caso-controle mostraram que o uso de barreiras (máscaras, luvas, aventais) e a higiene combinada foram altamente eficazes na prevenção da disseminação da SARS.
Resultados de Estudos Randomizados
Três ensaios randomizados controlados com limpeza das mãos indicaram uma redução na incidência de infecção por rinovírus, embora um não tenha atingido significância estatística.
Ensaios randomizados por conglomerados de maior qualidade relataram uma diminuição significativa de doenças respiratórias em crianças de até 24 meses e uma redução de 50% na incidência de pneumonia em crianças de países de baixa renda.
O uso de máscaras em combinação com higiene das mãos reduziu significativamente a transmissão de influenza em domicílios quando implementado nas primeiras 36 horas do início dos sintomas no caso índice.
Resultados de Estudos de Caso-Controle
Seis estudos de caso-controle focados na SARS permitiram meta-análise devido à homogeneidade das definições e contextos.
A meta-análise demonstrou que a desinfecção minuciosa de ambientes residenciais foi altamente eficaz (odds ratio 0,30), assim como a lavagem frequente das mãos (>10 vezes ao dia) (odds ratio 0,45).
A combinação de lavagem das mãos, máscaras, luvas e aventais atingiu alta eficácia (odds ratio 0,09), superando o uso de máscaras cirúrgicas simples ou N95 isoladamente.
Resultados de Estudos de Coorte Prospectivos e Retrospectivos
O uso de álcool gel em residências estudantis e programas de lavagem das mãos em escolas e creches resultou em redução de sintomas e absenteísmo.
Um estudo encontrou que o uso de óculos de proteção e máscara era eficaz para profissionais de saúde que cuidavam de crianças com vírus sincicial respiratório.
Estudos retrospectivos sobre distanciamento (isolamento/coorte) em hospitais e durante a epidemia de SARS em Pequim e Taiwan indicaram que o isolamento de casos sintomáticos limitava a transmissão.
Danos de Equipamentos de Proteção Individual
Um estudo retrospectivo em profissionais de saúde apontou que a acne, coceira e erupção cutânea foram os danos mais comuns após o uso de máscaras N95, e a pele seca e coceira foram relatadas por usuários de luvas.
Esses danos podem ser um fator para a baixa conformidade com as intervenções de barreira.
Discussão
As intervenções físicas são altamente eficazes contra a disseminação de vírus respiratórios, embora a qualidade metodológica dos estudos seja variável, refletindo as dificuldades de condução em circunstâncias da vida real.
Os ensaios randomizados por conglomerados de maior qualidade sugerem que as medidas de higiene são mais eficazes em crianças pequenas e em membros da família de casos índices.
Há incertezas sobre o benefício incremental de adicionar virucidas ou antissépticos à lavagem normal das mãos e sobre a eficácia de medidas globais, como triagem em pontos de entrada e distanciamento social.
Conclusões
Programas nacionais de lavagem das mãos devem ser implementados, com monitoramento de sua eficácia e avaliação de custo-efetividade.
Em situações de alto risco, recomenda-se a implementação de barreiras (luvas, aventais e máscaras com filtração) e isolamento de prováveis casos.
É necessário investir em máscaras faciais e aparelhos de barreira mais confortáveis e bem projetados para aumentar a adesão.
As evidências de que as máscaras N95, que são mais desconfortáveis e caras, são superiores às máscaras cirúrgicas simples são limitadas.
Apesar de serem mais caras e desconfortáveis (especialmente se usadas por longos períodos) do que as máscaras cirúrgicas simples, as máscaras N95 podem ser úteis em situações de alto risco. Um pequeno estudo comparando a máscara N95 com máscaras cirúrgicas de papel em voluntários descobriu que as máscaras cirúrgicas, mesmo quando usadas em várias camadas (até cinco), filtravam mal as partículas ambientais.
Em estudos de caso-controle, o uso de máscaras (em geral) teve uma razão de chances de 0,32 (intervalo de confiança de 95%: 0,25 a 0,40) para prevenir a disseminação da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), enquanto as máscaras N95 tiveram uma razão de chances de 0,09 (intervalo de confiança de 95%: 0,03 a 0,30). No entanto, um estudo relatou danos relacionados ao uso da máscara N95 e elas causam irritação na pele.
Em resumo:
Máscaras Cirúrgicas Simples: São menos caras e mais confortáveis, mas podem filtrar mal as partículas ambientais, mesmo em múltiplas camadas.
Máscaras N95: São mais caras e desconfortáveis. Podem ser úteis em situações de alto risco. Apresentaram uma razão de chances menor para prevenir a disseminação da SARS em comparação com máscaras (em geral) em estudos de caso-controle. No entanto, causam irritação na pele e houve relato de danos relacionados ao seu uso.
A implementação rotineira e a longo prazo de algumas medidas físicas para interromper ou reduzir a disseminação de vírus respiratórios pode ser difícil.
Um desafio notável na implementação de protocolos de barreira (como o uso de aventais e máscaras, além da lavagem das mãos) é a baixa adesão ou má conformidade.
Além disso, em relação às máscaras N95 especificamente, elas são mais caras e desconfortáveis, especialmente se usadas por longos períodos.
Citação: Jefferson T, Del Mar C, Dooley L, Ferroni E, Al-Ansary LA, Bawazeer GA, van Driel ML, Foxlee R, Rivetti A. Physical interventions to interrupt or reduce the spread of respiratory viruses: systematic review. BMJ. 2009 Sep 21;339:b3675. doi: 10.1136/bmj.b3675. PMID: 19773323; PMCID: PMC2749164.
Acessado em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19773323/



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